EBC adere a união latina de agências de notícias

As agências estatais de notícias de nove países da América Latina estão planejando a criação da União Latino-Americana de Agências de Notícias (Ulan), com a qual pretendem dar a visão própria dos fatos. A carta de intenções foi elaborada durante uma reunião na semana passada na Argentina. Entre as participantes, está a Empresa Brasil de Comunicação-Agência Brasil (EBC/ABr).

Ariel Palacios CORRESPONDENTE BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

27 Outubro 2010 | 00h00

Os representantes dos nove países definiram que a Ulan deverá "ser capaz de impulsionar globalmente os pontos de vista, orientada a tornar visível o esforço e as conquistas de todos os povos do continente em sua luta para aprofundar a democracia e alcançar sociedades de justiça social".

O objetivo inicial das agências é que a Ulan integre conteúdos jornalísticos, coordenação de coberturas, além do intercâmbio de profissionais.

A entidade, cujo formato ainda está sendo debatido por técnicos e integrantes dos governos da região, seria formada pelas agências estatais de notícias de Argentina, Brasil, Bolívia, Cuba, Equador, Guatemala, México, Paraguai e Venezuela.

A maior parte desses países possui governos com intensas - ou relativas - afinidades ideológicas com a administração do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que há vários anos prega a criação de uma empresa sul-americana de notícias para rivalizar com as grandes redes mundiais e fornecer ao mundo conteúdos próprios.

O projeto também está em sintonia com o governo da presidente argentina, Cristina Kirchner, que mantém um conflito com o grupo de mídia Clarín e o jornal La Nación, e que está montando uma série de canais públicos adicionais (a Argentina conta atualmente com dois canais estatais de televisão, um dos quais na TV a cabo) para contrapor as informações veiculadas pelos meios de comunicação privados.

O perfil de confronto desses governos com a mídia (cenário que se repete principalmente na Bolívia e no Equador) gerou suspeitas entre partidos da oposição dos países da região de que a ideia da união de agências poderia ter como fim a "propaganda política".

Conteúdos. Raúl Cazal, vice-presidente da Agência Venezuelana de Notícias (AVN), disse ao Estado que nos dias 14 e 15 de dezembro, na Guatemala, será realizada uma nova reunião para discutir detalhes da Ulan. Caso as conversas avancem, sua eventual criação poderia ser anunciada formalmente em março em Assunção, no Paraguai.

Cazal negou que a criação da Ulan implicará uma uniformização das notícias sobre a região. "Temos diferentes visões. Não somos um bloco único", disse.

Ele negou ainda os rumores de que a criação da Ulan pretenda ser um "contrapeso" contra a Sociedad Interamericana de Prensa (SIP): "Não vejo motivo para que a SIP sinta-se ameaçada pela criação da Ulan. O importante é a pluralidade. Com a Ulan, seremos um ponto mais de referência".

Na mesma sintonia, Carlos Troya, diretor da agência de Informação Pública Paraguai, em Assunção, afirmou ao Estado que "a ideia é compartilhar conteúdos e experiências". "Não existe outro tipo de intenção, de forma alguma, até porque não acredito que o governo mexicano esteja alinhado com o presidente Hugo Chávez, nem o governo da Guatemala", afirmou.

Troya ressaltou que a Ulan não pretende ser uma associação estatal, já que está aberta também às agências privadas.

"Há uma intenção subjacente desta união de agências de ter suficiente potência como organização latino-americana para construir um relato daquilo que nos acontece", disse Sérgio Fernández Novoa, da Agência de Noticias de la República Argentina.

Participam da criação da Ulan, além da Empresa Brasileira de Comunicação, da Informação Pública Paraguai, da Agência Venezuelana de Notícias e da Agência de Noticias de la República Argentina, a Agência Boliviana de Informação (ABI), a Agência Guatemalteca de Notícias (AGN), a Agência de Notícias de Equador e América do Sul (ANDES), a Agência de Notícias do Estado Mexicano (NOTIMEX) e a Prensa Latina (PL de Cuba).

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