Economia de água pode evitar racionamento no Sistema Cantareira

Economizar água é a saída para reduzir o risco de racionamento no Sistema Cantareira, que abastece nove milhões de pessoas na cidade de São Paulo e outros municípios da região metropolitana.Entre o consumo médio diário de água na Grande São Paulo, que é de 180 litros por pessoa, e os 120 litros recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), há uma diferença que possibilita redução de 33% no consumo. A reportagem apurou nesta quinta-feira que, se o consumo fosse reduzido para 140 a 150 litros de água por dia e por pessoa, o risco de racionamento na área servida pelo Sistema Cantareira seria minimizado.Nesta quinta-feira, o Cantareira estava com o nível de 39,2% de sua capacidade. Isso corresponde a um armazenamento de 304,5 milhões de metros cúbicos de água, ante uma capacidade máxima do sistema de 800 milhões de metros cúbicos. A economia no uso da água é um fator tão importante, no conjunto de itens que determinam um racionamento, que dela também depende a possibilidade de o Sistema Guarapiranga socorrer Cantareira em um metro cúbico por segundo.Essa ajuda a Cantareira poderá ser acionada, mas desde que haja economia por parte dos moradores abastecidos por Guarapiranga. Nesta quinta-feira, em entrevista coletiva, o secretário de Estado dos Recursos Hídricos, Antônio Carlos Mendes Thame, disse que é possível esperar até o fim de abril para uma definição sobre a possibilidade de racionamento ou não no Sistema Cantareira. Na última segunda-feira, um assessor da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) informou que o racionamento na área de Cantareira deverá ser iniciado em junho. O déficit de chuva na Cantareira, segundo a Sabesp, é de 169 milímetros no período de outubro de 2000 a fevereiro de 2001. Choveu nesse período, no sistema, 905 milímetros, ante a média histórica de 1.074 milímetros. Thame aposta no aumento da capacidade de produção de água no Sistema Alto Tietê em 2 metros cúbicos por segundo, o que será outra alternativa de auxílio à Cantareira. Mas as obras que permitirão essa capacidade operacional ficarão prontas somente a partir de agosto próximo.Thame negou o teor de um documento interno da Sabesp, pelo qual a empresa traça uma estratégia de maquiar informações sobre o Sistema Cantareira.No documento, a empresa se dispõe a "focar racionamento no Sistema Alto Cotia, até mesmo para minimizar especulações a respeito do Sistema Cantareira". O texto acrescenta que "é mais fácil" trabalhar com o universo de moradores do Sistema Alto Cotia, de 380 mil pessoas. "Não há nenhuma intenção de tapar o sol com a peneira", afirmou o secretário.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.