Economia dita tom político

A constatação de que só viabilizará uma agenda de resultados no Congresso Nacional abrindo-se à interlocução com as lideranças políticas, levou a presidente Dilma Rousseff a encontrar método próprio de cumprir esse ritual indispensável a qualquer governo.

João Bosco Rabello, O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2011 | 00h00

Ela mantém-se, pelo menos por ora, avessa a audiências individuais, mas organizou um calendário de encontros coletivos com sua base de sustentação e se aproximou do vice-presidente, Michel Temer, a quem tem feito distinções pessoais, reduzindo a solenidade entre ambos.

Nos últimos dias segue um script imposto pelo desgaste com a chamada "faxina" em ministérios, que consiste em negá-la como bandeira - e à paternidade das investigações -, limitando-se a reafirmar a intolerância com a corrupção e seu dever constitucional de combatê-la.

Embora apenas corrija distorção antes conveniente ao marketing oficial, já que não nasceram no palácio as denúncias que levaram à queda de ministros, a mudança de discurso reduz a exposição dos políticos e a consequente tensão nas relações com o governo.

O objetivo central dessa inflexão na postura rígida, que inclui ainda liberação gradual das emendas reclamadas pela base, é o de evitar decisões iminentes do Congresso que impactem o Orçamento, como a aprovação da PEC 300, que, ao estabelecer piso salarial para policiais militares e bombeiros, cria um custo estimado pelo governo em R$ 35 bilhões.

Além do aumento do teto salarial do Poder Judiciário que projeta gastos de R$ 7 bilhões. Fora os R$ 800 milhões relativos ao Ministério Público Federal.

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