Economista quer ser lembrado como professor

Preparação. O petista antes da sabatina: 'Já me pediram para sorrir mais'    

Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

20 de agosto de 2010 | 00h00

 

 

 

 

 

 

O ex-governador Geraldo Alckmin, do PSDB, de 57 anos, candidato tucano ao governo do Estado, é formado em medicina, com especialização em anestesiologia. Exerceu pouco essa profissão, preferindo desde moço a carreira política. Nas campanhas eleitorais, porém, não se cansa de lembrar sua profissão original. É como se isso lhe desse mais autoridade para discutir problemas de saúde e também o aproximasse do cotidiano dos eleitores.

O senador Aloizio Mercadante, de 56 anos, que concorre pelo PT, é conhecido principalmente como economista - profissão que já o fez figurar, em mais de uma ocasião, nas listas de possíveis candidatos a ministro da Fazenda de Lula. Nessa eleição, porém, ele quer ser mais lembrado por outra atividade sua.

Na sabatina de ontem, repetiu em três ocasiões que é professor universitário. "Dar aula é uma atividade da qual eu gosto muito", assegurou.

Também lembrou que ajudou a fundar uma associação nacional de professores do ensino superior e falou das suas aulas na Unicamp. Como se tudo isso lhe desse mais condições para enfrentar os problemas da educação no Estado, apontados em pesquisas de opinião como uma das maiores causas de insatisfação do eleitorado com o PSDB, há 16 anos no governo.

Mercadante, com seu terno de risca de giz e gravata vermelha, abriu e fechou a sabatina falando de educação. "Quero ser o governador da educação", afirmou, no momento final.

Longe de se imaginar, porém, que seja candidato de uma nota só. Acostumado a debates na Câmara e no Senado, ele mostrou que transita com facilidade, sem gaguejar, pelos grandes temas sociais, econômicos e políticos. Pareceu até mais bem articulado que na eleição de 2006, quando também disputou o cargo de governador, concorrendo com José Serra, que venceu logo no primeiro turno.

Apesar de bem articulado, Mercadante não pareceu muito à vontade no início da sabatina. Foi quase uma hora depois do início que começou a mostrar descontração e a rir.

Mercadante sabe disso. Seus assessores também. "Já me pediram para sorrir mais. Disseram que sorrio pouco", admitiu.

A favor dele pode-se dizer que no caso de São Paulo a simpatia do candidato não é assim um fator decisivo nas campanhas. O grande preferido do eleitorado até agora, apelidado no passado de picolé de chuchu, também não é nenhum campeão de simpatia.

O que falta em sorrisos a Mercante sobra nas mãos, bem cuidadas. Não lhes deu descanso durante as duas horas da sabatina. Em alguns momentos parecia até conversar com elas. Usava-as para formar um globo quando dizia: "Quando olhamos para São Paulo..." Fazia um corte no ar, de cima para baixo, como a linha de gráfico, para falar sobre a queda de homicídios no País. Punha-as lado a lado, numa espécie de corredor, para falar sobre a necessidade de se criar um plano de carreira para o professorado. E assim por diante.

Outra característica de Mercadante é a facilidade com que desfila números. Às vezes até indevidamente. Como no momento em que, falando dos problemas do desenvolvimento do interior paulista, garantiu que o PIB da cidade de Campinas é maior que o do Chile. Os manuais estatísticos mostram que a economia campineira é, de fato, poderosa. Mas nem tanto. Seu PIB é pelo menos dez vezes menor que o do país vizinho.

Um de seus bons momentos foi quando disse que seus filhos, assim como os de Alckmin, estudaram em escolas particulares, porque a rede pública de ensino é ruim. "Para dizer que a escola pública é boa, é preciso pôr o próprio filho lá", afirmou.

A sugestão poderia se estender a outros setores, como o transporte público e saúde.

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