Ecstasy chega ao ensino médio

Dado alarmante mostra que 3,4% dos alunos já usaram

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

25 de junho de 2009 | 00h00

O dado mais preocupante do relatório divulgado ontem é o número de consumidores de ecstasy entre jovens estudantes do ensino médio, que seria de 3,4% dessa população em 2007. O crescimento do consumo e apreensão de drogas sintéticas colocou o Brasil na 22ª colocação entre os países que já apreenderam esse tipo de droga. É o único na América do Sul.Foram 210 mil comprimidos apreendidos em 2007. No ano passado, a Polícia Federal descobriu, no Paraná, o primeiro laboratório clandestino no País, o que revelou o início de uma produção local. A maior preocupação da ONU seria com os chamados "usuários problemáticos" - algo em torno de 18 a 38 milhões de pessoas entre 15 e 64 anos.A evidência de que as drogas invadiram a vida dos jovens, incluindo os que estão inseridos em classes sociais mais altas, não se restringe às chamadas "balas" ou drogas do amor, consumidas, em especial, nas baladas. Outros estudos já mostram que a escalada de crack e cocaína também se deu entre os menores de 18 anos. Um outro problema é que esse tipo de consumo também acaba aproximando a população juvenil da criminalidade.Migrar das estatística de dependente para a de infrator não é um caminho raro de ser percorrido. Pesquisa realizada pela Escola de Enfermagem da USP avaliou 150 meninos da unidade da Fundação Casa de Ribeirão Preto, no interior, e encontrou a relação: do total, 96,7% disseram ter experimentado maconha e 65,3% deles confirmaram o uso de cocaína.A história de Júlia (nome fictício), hoje com 19 anos, reúne esses dois lados que ameaçam a história dos adolescentes. Ela, filha única e de classe média, já passou por três endereços em menos de quatro anos. Primeiramente foi a casa dos pais, na zona leste de São Paulo, onde cresceu. Depois, quando deixou de fumar só maconha, passou para cocaína e acabou no crack, foi morar na Cracolândia, região central de São Paulo que reúne outras "Júlias" que acendem o cachimbo a qualquer hora do dia. "Caí então na besteira de roubar." Júlia, hoje, está na Fundação Casa. "Sei que foram as drogas que me levaram ao fundo do poço. Só quando me livrei delas é que pude recomeçar a vida."A jovem ainda cumpre medida socioeducativa, mas enxerga "a luz no fim do túnel". Quer que sua experiência vire exemplo para que "outras meninas não precisem comer o pão que o diabo amassou para não entrar nessa". A retomada "para os trilhos", acredita, ela alcançou na semana passada. Ganhou o terceiro lugar num concurso de rap, uma vitória que não lembra de ter experimentado em toda a vida. Nos versos, cantou "quando encontrei o crack foi difícil/ o que era brincadeira, moda, virou vício/ mas não quero ser mais uma derrotada".

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