Editor acusa Google de ''cleptomaníaco''

Utilização do conteúdo de jornais e revistas pelo portal de buscas na internet foi discutida no Congresso Brasileiro de Jornais

Glauber Gonçalves, O Estado de S.Paulo

21 de agosto de 2010 | 00h00

A utilização do conteúdo produzido por jornais, revistas e outros veículos de comunicação por mecanismos de busca dos grandes portais da internet esquentou as discussões do segundo dia do 8.º Congresso Brasileiro de Jornais, ontem, no Rio. O presidente da Associação Mundial de Jornais e Editores de Mídia, Gavin O"Reilly, acusou o Google de "cleptomaníaco" por não pagar pelo conteúdo produzido por terceiros.

"Acusei o Google de cleptomaníaco, pois a empresa desenvolveu um modelo genial que não depende do pagamento do conteúdo que utiliza", afirmou ele sobre a ferramenta de busca de notícias utilizada também por outros portais como o Yahoo.

O dirigente fez um mea-culpa do setor por não ter agido para barrar o modelo de mecanismos agregadores de conteúdo criados pelos portais. "Nós, enquanto jornais, deixamos de proteger e de valorizar nosso conteúdo. Não podemos culpar os outros", declarou.

As críticas ao modelo foram rebatidas pelo presidente do Yahoo Brasil, André Izay. Para ele, esses mecanismos apenas simplificam o acesso dos internautas às notícias. "Nosso objetivo é localizar e facilitar o acesso à informação, e não se apropriar de nenhum conteúdo", disse.

Segundo O"Reilly, nos últimos dois anos, os grande portais têm tentado firmar acordos individuais de acesso a conteúdo com alguns donos de jornais.

Ele defendeu, no entanto, que um novo mecanismo de controle do conteúdo seja utilizado por todo o setor, permitindo que os jornais possam restringir o que vai ser exibido pelos portais de busca. "Se eles não fizerem isso, vão perceber que mais e mais publishers vão retirar seus conteúdos", afirmou.

Demonização. O diretor de Desenvolvimento e Novos Negócios do Google para a América Latina, Rodrigo Velloso, afirmou que a empresa está aberta a discutir maneiras de trabalhar junto aos jornais. "A existência da mídia passa hoje pelos serviços agregadores de conteúdo e ela não precisa dominar essa tecnologia", comentou.

Ele criticou o que chamou de "demonização" da gigante da internet. "Está na moda demonizar o Google, como esteve, há um tempo, fazê-lo com a Microsoft", declarou.

Gavin O"Reilly confirmou a disposição das empresas em dialogar com os jornais, mas cobrou ações. "Estamos trabalhando com Google, Microsoft e Yahoo no nosso painel técnico. Mas eles não podem simplesmente dizer que defendem os direitos autorais; precisam demonstrar que realmente fazem isso", disse o presidente da Associação Mundial de Jornais e Editores de Mídia.

Segundo ele, não é complicado resolver a questão. "É simples, só precisam pedir nossa permissão (para usar o conteúdo). Nós pagamos salários. Eles reproduzem o conteúdo e não recebemos nada por isso", afirmou.

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