Paris Filmes
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Editora suspende distribuição de livro sobre João de Deus

Por meio de nota, a Companhia das Letras disse estar 'surpreendida com as denúncias de práticas de estupro e de abuso sexual contra o médium' e que tomou a decisão de 'comum acordo com a autora'

O Estado de S.Paulo

10 Dezembro 2018 | 21h08

A editora Companhia das Letras anunciou nesta segunda-feira, 10, que suspendeu a distribuição do livro João de Deus: Um Médium no Coração do Brasil, publicado pelo selo Fontanar em 2016. O livro é de autoria de Maria Helena Pereira Toledo Machado, professora de História da Universidade de São Paulo (USP) e frequentadora da Casa Dom Inácio de Loyola, onde o religioso promove seus atendimentos na cidade de Abadiânia (GO).

"Surpreendida com as denúncias de práticas de estupro e de abuso sexual contra o médium João de Deus, a Companhia das Letras se solidariza com as vítimas e comunica, de comum acordo com a autora, que suspendeu a distribuição do livro João de Deus: Um médium no coração do Brasil, publicado pelo selo Fontanar", informou a editora por meio de nota.

Procurada pelo Estado, a autora também preferiu se pronunciar apenas por meio de nota. Segundo ela, o livro foi escrito a partir de pesquisas sobre os trabalhos públicos realizados por João de Deus na Casa Dom Inácio de Loyola. "Em nenhum depoimento, qualquer entrevistado mencionou ter sofrido qualquer constrangimento ou assédio", afirma. 

"O livro tem como interesse analisar a busca pela cura e como ela se realiza nas práticas de curadores, no caso, João de Deus. Desta forma, nunca houve interesse se aprofundar na vida privada do curador. Frente às graves denúncias que vieram à tona, em comum acordo com a Companhia das Letras, resolvemos suspender a distribuição do livro."

Entenda o caso

As denúncias vieram à tona na madrugada de sábado, 8, durante o programa Conversa com Bial, da Rede Globo, que trouxe relatos de quatro mulheres que relataram terem sofrido abuso sexual em Abadiânia. "Ele me pediu para ficar de costas e começou a passar a mão pelo meu corpo. Eu fiquei incomodada e pensei: até que ponto você pode deixar um médium passar a mão pelo seu corpo?", disse uma das entrevistadas, cuja identidade foi mantida em anonimato.

No total, foram ouvidas 10 pessoas que afirmam ter sofrido abusos. A única identificada foi a coreógrafa holandesa Zahira Leeneke Maus, que esteve no local de atendimento do médium em 2014. "Eu tinha medo de eles me mandarem espíritos ruins. Eu estava com muito medo. Agora me sinto protegida e sinto que a verdade tem de vir a tona", afirmou Zahira, que conversou com Pedro Bial nos estúdios do programa.

O Ministério Público e a Polícia Civil de Goiás abriram investigação contra o religioso e somente nesta segunda-feira, 10, a força-tarefa criada pelo MP recebeu 40 denúncias. As duas instituições começaram a agendar os depoimentos. As conversas informais ouvidas até o momento pelo MP indicam que a investigação terá como ponto central o abuso sexual. Será avaliada também a prática de outros crimes, mas nem Ministério Público nem Polícia Civil informaram quais seriam os demais delitos. 

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