Eduardo Jorge vai à PF e culpa Dilma

Tucano presta depoimento e entrega documentos com os quais quer provar que dossiê é fruto de ação articulada para atingir oposição

Vannildo Mendes, Brasília, O Estado de S.Paulo

06 de agosto de 2010 | 00h00

Em depoimento à Polícia Federal, o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira, afirmou ontem que a violação do seu sigilo bancário e fiscal, bem como o vazamento dos dados para a imprensa, é de inteira responsabilidade do comitê da candidata petista à Presidência, Dilma Rousseff.

Obtidos de forma ilegal, os dados foram supostamente incluídos num dossiê atribuído ao grupo de inteligência da pré-campanha de Dilma, que nega responsabilidade no episódio.

Ouvido ontem por quase duas horas, Eduardo Jorge insistiu que a montagem do dossiê partiu do comando da campanha petista, com o objetivo de atingir a candidatura do tucano José Serra. "Ou a operação foi gerada dentro do comitê, ou o comitê sabe de onde partiu", disse.

Ele entregou à PF documentos com os quais pretende provar que o dossiê é fruto de uma ação articulada e de longa duração dentro do governo para atingir a oposição.

Segundo o tucano, os documentos, com dados de sua declaração de Imposto de Renda e de sua conta corrente do Banco do Brasil, lhe foram repassados por jornalistas.

As violações abrangem dados fiscais de 2003 até 2009 e não apenas as declarações dos últimos dois anos.

Em sindicância interna, a Receita apurou que os dados do tucano foram alvo de pelo menos cinco acessos, feitos a partir de três senhas de servidores. Um dos acessos, considerado "imotivado", foi feito pela analista de tributos Antonia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves Silva, convocada a prestar esclarecimentos na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado na próxima semana.

Os outros dois acessos teriam sido feitos por auditores de forma "motivada" durante apuração de rotina.

Lisura. Eduardo Jorge, porém, colocou em dúvida a lisura da investigação da Receita e sua disposição em esclarecer a responsabilidade pelas violações do seu sigilo. "Acho que a Receita está empurrando com a barriga", afirma.

O tucano acha que o vazamento pode ter partido tanto de quem fez o acesso imotivado como dos que alegam motivação. "A experiência mostra que, na área política, os vazamentos partem muitas vezes de quem tem acesso motivado", observou. "O que a Receita diz é incompleto".

Nos próximos dias, a Polícia Federal vai intimar para depor tanto a analista Antônia Silva como os dois auditores, cujos nomes são mantidos em sigilo, que acessaram os dados do tucano.

Para entender

Caso veio à tona em junho

No início de junho, veio à tona que um grupo de assessores da campanha de Dilma Rousseff teria ensaiado a produção de um dossiê para atingir José Serra. Entre os documentos, estariam dados do Imposto de Renda do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas Pereira. A Receita abriu sindicância para apurar o vazamento.

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