Educação é principal alvo de promessas

Dilma e Marina planejam aumentar o investimento na área, enquanto Serra pretende abrir mais 1 milhão de vagas em escolas técnicas

Lucas de Abreu Maia, O Estado de S.Paulo

18 de julho de 2010 | 00h00

A educação entrou de modo definitivo no discurso dos principais candidatos à sucessão presidencial nesta semana. Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PV) assumiram o mesmo compromisso: elevar os gastos no setor de 5,1% do Produto Interno Bruto (PIB), em 2010, para 7%. A diferença está no prazo em que pretendem fazê-lo.

Enquanto Dilma assumiu, em seu Twitter, o compromisso de defender a meta já para o ano que vem, Marina disse que espera cumprir a promessa até 2014.

A petista não detalhou como pretende gastar os recursos ? nem de onde eles virão. O dado no qual se baseia é uma estimativa do Ministério da Educação e inclui gastos da União, dos Estados e municípios. De acordo com o Orçamento de 2010, o MEC terá R$ 61,2 bilhões. Assumindo um crescimento de 7% da economia neste ano, este valor equivaleria a 1,8% do PIB. Para elevar os investimentos públicos no setor, Dilma precisaria aumentar consideravelmente o Orçamento do ministério ou contar com a colaboração de prefeituras e governos estaduais.

"Temos aumentado esse porcentual ano a ano, e podemos agora dar um salto para qualificar a educação. Isso passa pela valorização do professor", afirmou a candidata. Dilma já prometeu criar 6 mil creches. Também vem defendendo a ampliação do ensino técnico e profissionalizante ? ela se comprometeu a criar 250 mil vagas em escolas técnicas e levar escolas profissionalizantes a todas as cidades com mais de 40 mil habitantes. Procurada pelo Estado, a assessoria de imprensa da candidata não disponibilizou ninguém para comentar as propostas da petista.

Por sua vez, Marina Silva indicou que pretende obter mais recursos para a educação através de "um Estado eficiente" e do combate à corrupção. Ela já declarou que a universalização do ensino nos governos Lula e Fernando Henrique foi "um avanço", e que agora seria necessário investir na qualidade. Seu programa de governo terá cinco principais eixos condutores para o setor. Entre eles estão valorização do professor, escolas em tempo integral e integração das políticas para a educação com programas sociais. "Temos de pensar uma escola onde o aluno goste de estar, integrada com a comunidade, com os pais", diz Maria Alice Setubal, que colabora com o programa verde.

Ela explica que a ênfase será no ensino básico e nas escolas das capitais. "São nessas cidades que está o maior desafio. Você tem áreas de risco, em que o Estado não consegue entrar, os professores não querem trabalhar", avalia. Segundo Maria Alice, o programa verde também dará destaque ao ensino técnico ? mas incentivando profissões ligadas à causa verde, como agricultura sustentável.

Tucano. Do lado tucano, o candidato José Serra não assumiu metas de investimento na educação. Suas declarações referem-se, sobretudo, ao ensino profissionalizante, a fim de levar para o País o modelo de escolas técnicas que adotou em São Paulo. Ele prometeu criar 1 milhão de vagas neste tipo de ensino e oferecer bolsas para cursos profissionalizantes.

"São Paulo tem hoje o melhor ensino do País. Temos muitas experiências boas para levar ao Brasil", defende o ex-ministro e atual secretário da Educação de São Paulo, Paulo Renato Souza. Ele colabora com o programa de governo de Serra e critica a meta assumida por Dilma. "Qualquer pessoa que entende um pouco de economia não promete uma coisa dessas", critica. Ele defende mais recursos para a área, mas afirma que "não adianta aumentar o salário de todo o mundo sem discutir um plano de cobrança dos resultados dos alunos e dos professores".

Para Maria Helena Guimarães, que ocupava a secretaria até 2009, existe um consenso de que o setor precisa de recursos. "Mas, independentemente, é preciso melhorar a gestão. Há muitos recursos mal usados, como na construção de escolas luxuosas", diz. Ela também contribui com o plano governo tucano e afirma que a prioridade deverá ser no ensino básico. "No Brasil, existe uma distorção na quantidade de recursos destinados ao ensino universitário, em comparação com o fundamental."

Especialista. Para especialistas da área , a meta de aumentar em 2 pontos porcentuais do Produto Interno Bruto o gasto em educação já para o próximo ano é quase impossível.

"Acho absolutamente irreal. Sem planejamento, esse dinheiro vai para o ralo", opina Wanda Engel, do Instituto Unibanco. "É igual à economia, se crescer demais gera inflação."

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