Educação é principal caminho para fazer Brasil romper barreiras, diz Cristovam

O candidato do PDT à Presidência da República, senador Cristovam Buarque, afirmou nesta sexta-feira que a educação é o principal caminho para possibilitar que o País rompa uma barreira, que estaria evitando sua transformação em uma nação mais competitiva e com menos problemas sociais. No início de sua participação na sabatina com presidenciáveis, promovida pelo Grupo Estado, ele disse que a única forma de trazer uma mudança é realizar uma revolução nesta área."Eu não vejo outra alternativa para que a gente dê um salto, chegue ao futuro, ingresse no século 21, seja uma sociedade moderna", destacou Cristovam Buarque. "O Brasil não está precisando de alguém que vá arrumar um pouquinho a casa, gerenciar um pouquinho cada problema. O Brasil esbarrou no projeto civilizatório, no seu destino de nação. O Brasil pode crescer, mas vai continuar violento. Pode crescer, mas vai continuar com corrupção, pode até crescer, mas exportando basicamente soja, e não chips, que é um produto do futuro", observou. "A educação deve se transformar no motor do processo civilizatório do País", acrescentou.Revolução em 15 anosCristovam Buarque disse que igualará os salários dos professores do ensino fundamental de 1.ª a 4.ª série de todo o País cumprindo o que a Constituição estabelece, que é um investimento de 18%. Ele questionou por que equacionar os salários dos professores é tão polêmico, enquanto igualar salários de funcionários da Infraero, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e do Exército não causa discussões. "Por que fazemos tudo pelos outros setores e nada pela educação?"Para ele, a educação é tão importante quanto a economia e merece a mesma atenção. Segundo seus cálculos, para que os professores de 1.ª a 4.ª série de todo o País ganhassem R$ 1 mil, o gasto anual seria de R$ 7 bilhões. O processo de seu projeto para a melhoria de educação levaria 15 anos. Segundo ele, ao final deste período, o Brasil teria educação do nível de qualidade da Coréia do Sul.Segundo ele, com a Desvinculação das Receitas da União (DRU), o governo "rouba" R$ 6,4 bilhões da educação. Ele citou ainda que o aumento de salário dos funcionários públicos custou R$ 5 bilhões ao governo, e a Petrobras conseguiu, com seu fundo de pensão, R$ 9 bilhões. Cristovam ressaltou que o dinheiro existe e está sendo gasto, mas destacou que cumprirá a Lei de Responsabilidade Fiscal.Cristovam sugeriu que o governo diminua os custos de publicidade, faça cortes no Congresso e na Justiça, doe parte dos lucros das estatais e faça renúncias fiscais para investir em educação. Disse ser o melhor investimento e afirmou estar preparado para ser um estadista da educação, mas admitiu que, para isso, precisa de votos. "Estadista só vira estadista quando tem sucesso na política. Quando não tem, ele é um pregador, ideólogo, um professor. Estou contente em ser professor e ideólogo, mas eu quero voto. Quero ser esse estadista."Cristovam disse que o custo que o País pagaria por não investir em educação é mais alto. Para ilustrar a situação, ele comparou uma pessoa com Ensino Médio, trabalhando por 35 anos, contribuindo com o pagamento de impostos, com uma pessoa apenas com o Ensino Fundamental, dependendo por 35 anos do Bolsa-Família."Progressão automática é crime"A progressão continuada nas escolas públicas, adotada em São Paulo, é um crime contra a formação dos alunos, criticou o senador e candidato à presidência da República pelo PDT, Cristovam Buarque. Ele reconheceu, porém , que não adianta "ficar reprovando" alunos por deficiência do próprio sistema de ensino. Ele sugeriu a adoção da "dependência", com o aluno avançando de série, mas "devendo" as disciplinas em que foi reprovado.Cristovam criticou ainda o tratamento do ensino na escola pública, em comparação com as escolas privadas, onde não há progressão automática. Segundo o senador, as únicas campanhas amplas no País que receberam atenção do poder público foram as de combate à poliomielite e AIDS. "Porque dá em pobre e dá em rico. Se analfabetismo pegasse no toque, não tinha mais analfabetismo no Brasil".

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