Efeito-Chalita amplia disputa por TV em São Paulo

Participação direta do PMDB na corrida elevará poder de barganha de partidos 'nanicos' e dos médios, como PDT e PSB

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

23 de maio de 2011 | 00h00

Se confirmada, a decisão do PMDB de lançar candidato próprio à Prefeitura de São Paulo fará com que, pela primeira vez desde 1996, o partido não seja a "noiva" preferida das coligações interessadas em ampliar seu tempo de propaganda em rede de rádio e televisão. Isso elevará o poder de barganha dos chamados "nanicos" e de partidos médios, como o PDT e o PSB.

A disputa pelos minutos e segundos do palanque eletrônico também será acirrada graças ao caráter "multipolar" da campanha - além de PT e PSDB, tradicionais concorrentes, e do próprio PMDB, o prefeito Gilberto Kassab colocará à prova a força de seu grupo político, reunido em torno do recém-criado PSD e de legendas que ocupam cargos na administração.

Nas últimas três eleições, o PMDB, sem nomes competitivos na capital, cedeu seu principal ativo eleitoral - o tempo de TV - a Romeu Tuma (PFL), em 2000, a Luiza Erundina (PSB), em 2004, e a Kassab (então no DEM), em 2008.

Com a anunciada candidatura do neofiliado Gabriel Chalita - segundo deputado federal mais votado no Estado em 2010 -, o PMDB perderá o caráter de "curinga" no jogo eleitoral e precisará, ele próprio, atrair aliados para fortalecer seu representante.

PSB, PDT e PTB - as novas peças móveis da campanha - serão cortejados por todos, juntamente com os partidos nanicos. Fora da máquina do Estado e da Prefeitura, o PMDB larga em desvantagem na negociação. Seu principal alvo deve ser o PTB, legenda-satélite do PSDB, controlada por Geraldo Alckmin, com quem Chalita tem afinidades.

No melhor dos cenários para Chalita - a conquista do PTB e de todos os micropartidos que não costumam lançar candidatos próprios -, ele teria cerca de 21% do tempo de propaganda em rede de rádio e televisão, algo como seis minutos e meio em cada bloco de meia hora.

Com cargos e canais de diálogo nas esferas federal, estadual e municipal, os pedetistas podem acabar nos braços do PT, do PSDB ou do grupo kassabista - que tende a apostar suas fichas na candidatura de Eduardo Jorge (PV), secretário municipal do Meio Ambiente.

Como o recém-criado partido do prefeito não tem direito a tempo de TV, por não ter bancada eleita em 2010, Kassab será o maior interessado em formar alianças para 2012.

Além do PDT e dos nanicos, o prefeito deverá tentar atrair o PSB - por meio de uma negociação de cúpula com o presidente da legenda, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos - e até o PC do B, um tradicional aliado petista, que avalia a possibilidade de lançar o cantor Netinho como candidato.

Ainda assim, na melhor das hipóteses, o candidato de Kassab teria apenas 19% do tempo de propaganda - cerca de cinco minutos e meio por bloco.

Tucanos. No PSDB, até o momento, é Alckmin quem movimenta as peças da sucessão municipal. Seu principal trunfo foi ter atraído o PP de Paulo Maluf para o governo estadual - prenúncio de uma aliança no ano que vem. Se conseguirem tirar o PDT do campo petista e conquistar as microlegendas, os tucanos poderão ter até um terço do horário eleitoral.

Os petistas estão em situação confortável: sua bancada aumentou - e com isso, sua exposição na TV. No melhor cenário para o partido - com a manutenção de antigos aliados e a conquista dos nanicos - , o candidato do PT poderá dominar até 35% da propaganda.

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