Egípcio não morreu contaminado por antraz, diz instituto

Pesquisadores do Instituto Evandro Chagas (IEC) descartaram nesta quarta-feira a existência da bactéria do antraz no corpo do engenheiro egípcio Ibrahim Soliman Sayed Ibrahim, que morreu no último dia 11 dentro do navio Wadi Alarab, quando a embarcação estava em Porto Trombetas, no oeste do Pará, carregando bauxita. Depois de novo exame no corpo que já havia sido necropsiado por legistas do Instituto Médico Legal Renato Chaves, os cientistas do IEC não conseguiram definir qual foi a causa da morte. O material analisado pelos setores de Bacteriologia e Anatomia Patológica, segundo o pesquisador Manoel Soares, deu negativo para o antraz. O IML do Pará enviou amostras do cérebro, pâncreas e pulmão de Ibrahim para um centro de controle de doenças do governo dos Estados Unidos. "Temos de esclarecer esse mistério. Se não foi por antraz, como afirma a contraprova do Evandro Chagas, então qual a verdadeira causa?", quer saber o diretor do IML, Luís Malcher. Ontem, ele chegou a admitir que havia 90% depossibilidade de o egípcio ter morrido por infecção generalizada provocada pelo antraz. Seu colega do IML, Cláudio Guimarães, garantia o contrário, alegando que se o antraz tivesse entrado no navio teria contaminado outros tripulantes, o que não ocorreu. O superintendente da Polícia Federal no Pará, GeraldoAraújo, informou que o resultado divulgado pelo IEC não modifica a intenção da PF em levar o inquérito até o seu final. "Não pode haver nenhuma dúvida sobre o que aconteceu dentro do navio", disse Araújo.Ainda nesta quarta-feira, a PF manteve contato com a embaixada do Egito em Brasília para acertar a liberação do corpo de Ibrahim e enviá-lo à cidade do Cairo, onde o engenheiro será sepultado. Quanto à bagagem dele, permanecerá em Belém para ser analisada pelo Evandro Chagas.

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