El Negro diz que comprou regalias em presídio de SP

O traficante colombiano Ramón Manuel Yepes Penágos, conhecido como El Negro, depôs ontem na Justiça e confirmou ter pago propina a funcionários do Centro de Detenção Provisória (CDP) de Vila Independência, na zona leste de São Paulo. El Negro contou que os agentes criaram uma espécie de cela de 1ª classe na prisão. Para ficar ali, o detento tinha de pagar. A fim de disfarçar o esquema, oficialmente a cela abrigava presos ameaçados de morte. Essa foi a terceira vez que El Negro relatou o esquema de propina na prisão. Nas outras duas vezes, ele havia sido ouvido na Penitenciária de Avaré - na primeira por policiais corregedores e promotores de Justiça e na segunda, por integrantes da Corregedoria da Secretaria da Administração Penitenciária. Ao saber da denúncia, o secretário Lourival Gomes foi pessoalmente fazer uma blitz no CDP, na semana passada, para tentar surpreender o esquema - a SAP não informou o que foi constatado na visita. Também não foram divulgados os valores que teriam sido pagos pelo traficante aos agentes. El Negro contou ainda que, além de pagar propina a cinco policiais do Departamento de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), um policial do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic) o teria achacado. No caso do Denarc, a apuração da Corregedoria da Polícia Civil levou ao indiciamento de cinco policiais. A Justiça decretou a prisão de quatro deles - o quinto, o delegado Antônio Carlos de Castro Machado Júnior, teve a prisão pedida, mas negada.

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