El Negro diz ter pago R$ 400 mil de propina para polícia

Ao depor, ele contou que cartel resgatou fortuna de Abadía no Brasil

Bruno Tavares e Marcelo Godoy, O Estadao de S.Paulo

13 Fevereiro 2009 | 00h00

O traficante de drogas conhecido como El Negro contou que o Cartel do Norte do Vale, da Colômbia, resgatou no Brasil 70 milhões em dinheiro que o traficante colombiano Juan Carlos Ramirez Abadía, o Chupeta, mantinha escondidos em São Paulo. A operação dos colombianos foi feita pouco depois da prisão de Abadía, em agosto de 2007. El Negro acusou ainda policiais de São Paulo de extorsão e disse que não aguentava mais ser achacado pela polícia. Disse que pagou R$ 400 mil para ser deixado em paz. No Brasil, ele se passava pelo mineiro Manoel de Oliveira Ortiz, de Borda da Mata.Essa era uma das identidades usadas do traficante acusado de enviar 13 toneladas de cocaína para a Espanha. Além de brasileiro, El Negro já se disse espanhol. Também já usou o nome do mexicano Carlos Ruiz Santamaria. Mas, segundo revelou o Jornal Nacional, a agência antidrogas americana (DEA) afirma que se trata do colombiano Ramón Manuel Yepes Penagos. O depoimento de El Negro aos federais foi tomado na Divisão de Combate a Crimes Financeiros (Delefin) no inquérito que apura onde está a fortuna de Abadía. Estavam ainda presentes um procurador da República e o advogado do traficante. Durante quase três horas, El Negro contou que da operação de resgate do dinheiro de Abadía participaram 40 mulas.Elas teriam sido enviadas pelos colombianos ao Brasil por meio de voos de Bogotá para São Paulo - algumas fizeram escala em Manaus (AM). Cada mula levou de volta à Colômbia cerca de 1,5 milhão em seu corpo - dividido em 30 pacotes. Duas das mulas foram detidas no desembarque em Bogotá.El Negro contou ainda que, além de conhecer Abadía, também havia sido ligado a outro megatraficante colombiano: Victor Patiño Fomeque. Extraditado para os EUA, Patiño delatou Abadía e, por isso, quase toda sua família teria sido assassinada em represália. El Negro disse aos federais, mas não deu detalhes, que foi achacado diversas vezes no Brasil.Ao ser ouvido nesta semana, El Negro chegou a brincar sobre sua nacionalidade. "Yo soy brasileño (eu sou brasileiro)." O próprio traficante não conteve o riso assim como os policiais. A piada se refere ao fato de ele ter sido preso pelo Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos (Denarc), da Polícia Civil de São Paulo, com 60 comprimidos de ecstasy, em abril de 2008. O Denarc registrou El Negro como mineiro. Ele estava na prisão até que policiais do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado (Deic), descobriram na semana passada que ele era procurado na Espanha. Só então é que apareceu a identidade colombiano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.