Ele admite que deixa atrasos como herança

Zuanazzi entrega cargo com índices como 15% de falta de pontualidade em embarque e 12% de cancelamentos

Luciana Nunes Leal, O Estadao de S.Paulo

01 de novembro de 2007 | 00h00

Apesar de ter feito um longo balanço, positivo em todos os pontos, da gestão de um ano e meio na presidência da Anac, desde que a agência foi criada, Milton Zuanazzi disse que a proporção de atrasos e cancelamentos de vôos é insatisfatória e esse problema será uma herança para seus sucessores. "Não gosto dos indicadores de 10% a 15% de atrasos (de mais de uma hora) nos vôos e de 8% a 12% de cancelamentos. Não é bom."Ao contrário do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que associa os atrasos e cancelamentos ao excesso de oferta das empresas, que não teriam capacidade de atender tantos passageiros, Zuanazzi disse que um ajuste na distribuição das linhas aéreas e nos horários ajudaria a reduzir os atrasos e insistiu nas críticas a medidas que possam reduzir a oferta. Segundo o ex-presidente, a redução das conexões em um único vôo é uma solução para reduzir os atrasos e deverá ser posta em prática pela nova diretoria da agência. Sobre os cancelamentos, Zuanazzi disse que será um problema mais difícil de resolver porque estão diretamente ligados a más condições do clima. "Não adianta marcar data (para o fim dos cancelamentos)", declarou. Segundo Zuanazzi, crises localizadas, como a revolta dos controladores, no fim do ano passado, levaram ao aumento da proporção dos atrasos, mas a situação sempre acabou voltando ao normal. "Embora em patamares ainda não ideais, os indicadores de atrasos de vôos superiores a uma hora nunca tiveram média porcentual melhor do que agora, o que significa que o passageiro está saindo e chegando nos horários previstos", diz um trecho do balanço distribuído por Zuanazzi. "Todo o mundo da aviação tem atraso", afirmou o ex-presidente da Anac, durante a entrevista em que anunciou a renúncia. Ao falar sobre a Copa de 2014, que será no Brasil, afirmou que o setor aéreo do País, no momento, "não tem estrutura" para ser a sede do campeonato. Mas lembrou que nos próximos sete anos será feito um planejamento especial. O ex-presidente lembrou os Jogos Pan-Americanos deste ano, no Rio. "Não houve nenhuma reclamação dos aeroportos."

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