Ele cultiva, aluga, hospeda e trata orquídeas

Em mais de 20 anos de serviço, Minassian tornou-se um faz-tudo quando o assunto são essas plantas

Edison Veiga, O Estadao de S.Paulo

02 de abril de 2009 | 00h00

Difícil a mulher que permaneça indiferente à beleza das flores. No caso do paulistano - filho de armênios - Apraham Minassian, o que era para ser um agrado à mulher acabou virando o negócio da família. Em 1980, aos 22 anos, ele era funcionário público do Judiciário quando, após um evento no Anhembi, avistou um vendedor de orquídeas e pensou em comprar uma para presentear a mulher, Regina. "Acabei levando logo 12", lembra. "Minha pequena casa ficou parecendo uma floricultura." Encantado com o hobby, seis anos depois abandonou a carreira pública para viver de orquídeas. Trabalhou por alguns meses no Orquidário Morumby, no Brooklin. Em seguida arranjou um sócio e abriu uma loja própria em Santa Isabel, na região metropolitana. "Durante seis anos, percorri o circuito das orquídeas do País", conta. "Todo fim de semana temos pelo menos uma exposição no Brasil." Nessa peregrinação florista, ele conheceu todos os Estados - exceto o Acre - e cidades como Piracanjuba (GO), Gramado (RS), Guaxupé (MG) e Registro (SP). Também por causa das orquídeas visitou Colômbia, Venezuela, Argentina, Peru, Paraguai, Guiana e Equador.Já bastante entendido do assunto, voltou para a capital paulista com uma ideia na cabeça: não só vender, mas também ensinar novos orquidófilos. "Os vendedores costumam falar muitas barbaridades. Eu aprendi com meus erros e queria passar a experiência adiante", afirma Minassian. QUALQUER NEGÓCIOEm 1994 nascia a Armênia Orquídeas, na Avenida Santa Inês, no Horto Florestal. Em cursos de quatro horas que se repetem mensalmente - atualmente custam R$ 50 -, ele calcula que já tenha formado 3,7 mil alunos. Sua loja tem uma área total de 120 m², sendo que mais da metade é um viveiro onde ele cultiva as plantas. "A partir de semente, uma orquídea demora de 5 a 7 anos para florir", comenta. As plantas para presente são vendidas por ele por R$ 15 a R$ 150. "Mas já intermediei negócio de variedades raras com colecionadores que chegaram a US$ 10 mil", garante. Além da loja e dos cursos, Minassian desenvolve outras atividades, todas vinculadas às orquídeas. "Sou armênio. Faço qualquer negócio", brinca. Um espaço de seu viveiro é hotel de plantas. Quem vai viajar pode hospedar sua orquídea ali, pagando uma diária de R$ 1. Por preços que variam conforme o serviço, ele também acolhe plantas doentes e trata da recuperação delas - uma espécie de hospital de orquídeas. "Também faço manutenção em ?orquidário de madame?", diz, enumerando oito clientes fixas, visitadas uma vez por mês. Desde o ano passado, explora um outro filão: o aluguel de plantas. "Eu fico p... da vida quando vejo as pessoas jogando a orquídea fora porque a flor caiu", reclama. Para o consumidor, a solução está em pagar uma "assinatura" para ter sempre exemplares floridos. O serviço, com a entrega incluída, custa R$ 24 por planta por mês. "Mas só fecho contrato com um mínimo de seis unidades, senão não vale a pena por causa dos deslocamentos", se justifica. A planta "usada" retorna ao seu viveiro, onde é cuidada até voltar a florir, no ano seguinte. Seu principal cliente é o Hospital Samaritano, em Higienópolis, que aluga 31 orquídeas.Com 50 anos de idade, Minassian acredita que seus serviços contribuíram para a popularização das orquídeas na cidade. "Quando comecei, havia uns cinco vendedores de orquídeas no Ceasa (a Ceagesp, Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo). Hoje são dezenas", compara. "E você as encontra (as orquídeas) até em supermercados."EM CASA, NÃONa vida de Minassian, só há um lugar restrito às orquídeas: sua casa. "Lá é proibido, afinal já temos muitas aqui na loja", afirma. O que não significa ausência de plantas. Pelo contrário. Regina tem dezenas de vasos espalhados pela residência. Na maioria deles, cultiva cactos.

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