''Ele está sentindo como dói''

Ronaldo Lessa diz que pai de Eloá paga por crimes

Ricardo Rodrigues, MACEIÓ, O Estadao de S.Paulo

24 Outubro 2008 | 00h00

O ex-governador de Alagoas Ronaldo Lessa (PDT) disse, em entrevista publicada na Gazeta de Alagoas, que o ex-cabo da Polícia Militar Everaldo Pereira dos Santos, pai de Eloá e acusado de participar da execução de seu irmão, o delegado Ricardo Lessa, e do motorista Antenor Carlota da Silva, em outubro de 1991, já paga pelos crimes que cometeu em Alagoas com o sofrimento e a morte da adolescente de 15 anos. Para Lessa, será uma surpresa caso Santos prove que não tem envolvimento na morte do delegado. "Ele agora está sentindo como dói perder um ente querido, assassinado a tiros", afirmou Lessa. As duas versões para o assassinato de Ricardo Lessa, segundo o ex-governador, convergem para um mesmo personagem: o ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante, líder da "Gangue Fardada", composta por policiais militares e civis, acusados de assaltos, extorsões, crimes de pistolagem e roubos. Lessa lembrou que existiam divergências com o irmão. "Certa vez, até eu corri risco de morte, quando estava ao lado dos movimentos de sem-terra e de sem-teto, e ele deu tiros na direção da gente", afirmou Lessa, contando o episódio da desocupação da entrada do Palácio dos Martírios, por policiais civis e militares, sob o comando do irmão. "Nós nos respeitávamos, mas não nos dávamos bem. Ele tinha um estilo muito diferente do meu. Ele era um policial linha dura, incorruptível, que se esforçava para combater a criminalidade. Por isso, fez muitas inimizades e despertou o ódio da bandidagem." Para Lessa, seu irmão foi assassinado pela "Gangue Fardada" porque investigava crimes atribuídos ao grupo. "Por isso que o ex-cabo Everaldo diz que tem medo de ser assassinado, porque ele sabe demais, é um arquivo vivo e pode revelar a participação de pessoas influentes com os crimes", afirmou. Sobre a localização do ex-cabo, Lessa se mostrou surpreso. "Eu imaginei que o Everaldo estivesse condenado. Mas um juiz disse que, pelo crime de Ricardo, ele ainda vai responder." Segundo Lessa, Santos não responde por um só homicídio. "Ele responde por vários. O caso do meu irmão é que criou mais força e mais expressão, e não foi nem por mim, que só fui governador em 1998. Mas foi pelo fato de ele ser o segundo homem na escala de poder na segurança pública do Estado." De acordo com Lessa, o nome do ex-tenente-coronel Manoel Francisco Cavalcante, que está preso no Presídio Federal de Catanduvas (PR), sempre esteve associado à morte do seu irmão. Lessa disse que não tem elemento para provar a participação do pai de Eloá no assassinato de seu irmão. "Ele foi indiciado na fase do inquérito policial. Se é culpado ou inocente, não sei. Só sei que ele já está pagando pelo crime." Lessa disse que acredita na condução do caso pelo delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas, Marcílio Barenco. "Vi o pronunciamento de Barenco sobre os fatos novos do caso Ricardo Lessa e estou satisfeito. Barenco é da safra nova de delegados que pensa que é preciso dar garantia de vida ao Everaldo porque ele é um arquivo vivo e tem muito a esclarecer", disse Lessa, que, na época do assassinato, era vereador.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.