''Ele me mandou calar a boca. Dei um soco''

Cabeleireira se diz contra brigas, mas afirma ter agredido quase todos os ex-companheiros

Laura Diniz, O Estadao de S.Paulo

29 de setembro de 2008 | 00h00

A cabeleireira Cristina (nome fictício) nem consegue segurar o riso. Depois de contar que já partiu para cima do atual marido, do ex e de quase todos os namorados do passado, afirma: "Não parece, mas sou totalmente antibrigas. Sempre tento conversar antes." Ocorre que, na hora da bronca, os companheiros costumam ficar mudos, e ela "não tem vocação para conversar com parede". Ou então, diz, "eles provocam e só acalmam depois da briga".Cristina admite: é mandona, e as coisas têm de ser feitas do jeito dela. "Faço tudo para não ser cobrada. Quando o outro não faz a parte dele, tem problema", afirma. "Converso uma, duas, três vezes. Quando perco o controle, quero ficar sozinha e eles ficam cutucando."Um amigo do casal relatou ao Estado que, após inúmeras cobranças para que o marido não deixasse os chinelos na sala nem a toalha molhada sobre a cama, Cristina o pegou pelo colarinho, rasgou sua camisa e o levou de cômodo em cômodo da casa explicando como ele deveria fazer as coisas. "Enquanto falava, ela dava vários ?coquinhos? na cabeça dele."A primeira agressão ao atual companheiro aconteceu porque, durante uma discussão, após ficar mudo, ignorando os gritos de Cristina, ele mandou que calasse a boca e fechou a mão, ameaçando bater nela. "Aí não teve tolerância. Dei um soco na cara dele." Na maioria dos episódios violentos que o casal vive, no entanto, há apenas agressões leves, como sacudidas, empurrões e tabefes - tudo sempre precedido de uma discussão em muitos decibéis. Entre os momentos marcantes de seu histórico briguento, ela destaca: a vez em que correu atrás de um homem com uma faca na mão; o dia em que bateu no marido em público; a ocasião em que picou todas as camisas do companheiro; e o momento em que conseguiu respirar fundo e desistir de jogar, do segundo andar de seu sobrado, um botijão de gás sobre o carro do ex-namorado que havia dito que adorava irritá-la.Cristina admite que contribui muito para as brigas porque é intransigente, mas não consegue evitar que pequenos aborrecimentos acumulados se transformem em grandes problemas. "Quando chego do trabalho, tenho de cuidar da casa e da minha filha. Aí o cara liga dizendo que quer jantar. Nem eu nem ela estamos com fome. Faço o jantar. Quando ponho a mesa, o cara diz que passou a fome. Não dá vontade de fazer picadinho dele?"Segundo Cristina, muitos homens gostam de apanhar, "porque fazem besteira para provocar". No caso do atual marido, ela tem certeza. "Ele procura briga, parece que sente falta. Quando perco as estribeiras, ele se acalma, chora e pede desculpas."Perguntada se já fez algo para romper o ciclo de violência, Cristina diz que já tentou se calar e não reclamar. "Fiquei uma semana de cama, com tremor e palpitação. Fui parar no hospital para fazer eletrocardiograma. Até que ele me aprontou outra. Explodi e melhorei. Acho que é fuga." Arrependimento? "Só quando rasguei as camisas dele. Eram caras."

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