'Ele vestiu figurino de direita troglodita', critica petista

Presidente do PT saiu em defesa de Dilma e lamentou o que chamou de 'discurso [br]da República Velha'

Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2010 | 00h00

O presidente do PT, José Eduardo Dutra, afirmou ontem que o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, vestiu o figurino de "direita troglodita" e agora recebe instruções de "falcões do DEM" associados a "um índio". Foi uma referência jocosa aos conservadores norte-americanos e ao deputado Índio da Costa (DEM-RJ), vice de Serra.

"Serra está caindo no ridículo. Esse figurino de direita troglodita não assenta bem nele", insistiu Dutra. Ao saber que o adversário previu o aumento das invasões de terra caso a candidata do PT, Dilma Rousseff, seja eleita, Dutra reagiu primeiro com um "ai, meu Deus do céu!". Depois, disse lamentar que Serra ressuscite o que chamou de "discurso da República Velha".

Na semana passada, Dilma assegurou que, se vencer a disputa presidencial, as invasões de terra vão diminuir. "A reforma agrária tem de continuar, e não é porque o MST quer, mas porque é bom para o Brasil", argumentou.

A campanha petista afirma que o número de ocupações caiu, em comparação com o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), graças ao programa de agricultura familiar. "Não pretendo ter complacência com ilegalidade, mas não trato os movimentos sociais como caso de polícia. Não coloco nem cachorro atrás deles nem dou pancada", devolveu Dilma, numa estocada em Serra, que enfrentou crise com os professores pouco antes de deixar o Palácio dos Bandeirantes.

Coordenador da campanha do PT, Dutra disse que Serra está nervoso e demonstra desespero. "Ele sabe que não é verdade que o PT tem relação com as Farc e com o Comando Vermelho e também sabe que o MST fez mais invasões no governo tucano, mas acabou sendo pautado pelos falcões do DEM e por um índio", provocou.

Foi Índio da Costa que iniciou a polêmica, quando, em entrevista afirmou que o PT tem ligação com as Farc e com o narcotráfico. O PT entrou com ação contra o vice de Serra por calúnia, injúria e difamação, além de pedir direito de resposta no site do PSDB. A solicitação foi aceita, mas a equipe tucana conseguiu liminar para suspender a decisão. O plenário do TSE voltará a analisar o assunto no dia 2 de agosto.

A estratégia do PT consiste em terceirizar os ataques a Serra, poupando Dilma do bate-boca. Nos últimos dias, porém, a petista tem reagido, sempre lamentando o que chama de "baixo nível".

Resposta. A assessoria do MST afirmou ontem que o movimento "mantém sua autonomia frente aos partidos políticos e candidaturas, mas repudia os retrocessos sociais simbolizados na candidatura tucana". A nota foi uma resposta às afirmações de Serra.

A assessoria disse ainda que o tucano "se vale de ameaças e tenta criar um clima de raiva contra o MST porque não possui um projeto que possa garantir a vida digna dos trabalhadores rurais e urbanos". "Ele representa os interesses do latifúndio improdutivo e do agronegócio, que não resolvem o problema das famílias sem-terra e não garantem o abastecimento de alimentos para a população brasileira", diz a nota. / COLABORARAM PATRÍCIA CAMPOS MELLO e RAFAEL MORAES MOURA

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