Eleição na Câmara opõe PSDB e DEM

Vereadores da base aliada do prefeito Gilberto Kassab (DEM) disputam vagas na nova Mesa Diretora da Câmara Municipal, que será eleita hoje em sessão extraordinária. Parlamentares do PSDB e do Democratas querem a 2ª vice-presidência. Parece pouco um vereador brigar para ocupar um posto que tem denominação de terceiro grau na hierarquia do maior parlamento municipal do Brasil. Mas não é. A disputa provocou stress entre os parlamentares.A Câmara de São Paulo terá um orçamento de R$ 310,5 milhões em 2008. Os integrantes da Mesa Diretora têm direito a mais funcionários, salas, telefone e principalmente cuidam dos contratos do Legislativo. A chapa começou a ser definida há dois meses pelo Centrão, formado por PMDB, PR, PP, PTB, PSB, PDT e PV, juntamente com o PT e o DEM. O PSDB só se juntou agora às negociações.Acordo, que estava sendo fechado na noite de ontem, manteve Antonio Carlos Rodrigues (PR) e Adilson Amadeu (PTB) como presidente e primeiro vice-presidente. Para esses cargos não houve brigas. Mas a definição do segundo vice-presidente causou muita discussão. Hoje o posto é ocupado por Gilson Barreto (PSDB). Os tucanos indicaram Claudinho e Juscelino Gadelha. Mas o atual segundo-secretário, Milton Leite (DEM), também quer o cargo.Leite era do PMDB, mudou para o partido de Kassab e ganha espaço na bancada situacionista. Foi o relator do projeto do orçamento 2008 e relatará as emendas apresentadas pelas bancadas e vereadores. "Já tinha o acordo da reeleição. O PSDB está chegando agora e quer a primeira secretaria ou a primeira vice-presidência. Não é assim", disse um integrante do Centrão. Outro parlamentar do grupo afirmou que o nome que os tucanos indicarem será aceito. "O problema é o cargo que eles querem ocupar."A primeira secretaria, hoje nas mãos do PT, com José Américo, ficará com outro petista, Antonio Donato. As duas suplências continuarão com partidos pequenos que compõem o Centrão. Hoje são suplentes Jorge Borges (PP) e Noemi Nonato (PSB). Os dois novos nomes estavam sendo definidos na noite de ontem e poderiam ser de parlamentares de PV, PSB ou PP. As negociações também visam a acomodar os partidos nas presidências das 15 comissões da Casa. Na corregedoria da Câmara, Wadih Mutran (DEM) pode ser reeleito.Em dezembro de 2006, com o apoio de 48 dos 55 parlamentares - incluindo PT, PSDB e DEM -, Rodrigues foi eleito presidente. Na época, quatro vereadores tucanos não votaram no republicano: Gilberto Natalini e William Woo (atual deputado federal), que faltaram, e José Aníbal (hoje deputado federal) e Tião Farias, que entraram em plenário após a votação e anunciaram apoio sem que seus votos fossem contabilizados.A composição entre Centrão e PT elegeu Roberto Tripoli (PV) chefe do Legislativo em 2005 e 2006. Em 2005, quando o prefeito era José Serra (PSDB), o vereador José Aníbal esperava ser indicado para a presidência da Casa. O que não ocorreu.

Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

15 de dezembro de 2007 | 00h00

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