Eleições brasileiras despertam interesse de órgãos econômicos mundiais

Mesmo sem definição das eleições presidenciais, o Fórum Econômico Mundial já convidou o candidato à Presidência pelo PSDB, Geraldo Alckmin, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a participar do evento que a entidade realiza em janeiro na cidade de Davos, na Suíça. Diante da indefinição na votação, o Fórum de Davos resolveu fazer convites aos dois candidatos para garantir a presença do futuro presidente. Dessa forma, a organização aponta que quem sair vencedor nas eleições irá ao encontro.O Fórum de Davos reúne todos os anos os principais líderes políticos e do setor privado. Lula, poucos dias após ter assumido o governo em 2003, foi até Davos como o principal convidado do evento para apresentar seu plano de governo aos investidores estrangeiros. Segundo os organizadores do Fórum, os empresários e líderes políticos vão querer saber o que o próximo presidente fará para permitir que o Brasil cresça a taxas mais elevadas. "O crescimento da economia brasileira será o maior desafio do próximo governo", alerta Emilio Lozoya, diretor do departamento de América Latina do Fórum Econômico Mundial. No ranking sobre competitividade elaborado pelo Fórum todos os anos, o Brasil não parou de cair nos últimos três anos. Entre 2004 e 2005, a queda ocorreu por causa dos escândalos de corrupção. Neste ano, a nova queda de mais nove posições foi gerada pelo baixo crescimento da economia.Negociadores comerciais na União Européia (UE) e na Organização Mundial do Comércio (OMC) também acompanham atentamente as eleições no Brasil. Poucos acreditam em uma mudança profunda no compromisso do Brasil com a Rodada de Doha e nas negociações entre o Mercosul e a UE em 2007.Mas a expectativa dos diplomatas estrangeiros é a de saber quem serão os novos interlocutores do governo nas negociações e como será a participação do País num momento de eventual troca de governo. Em Bruxelas, diplomatas e observadores acompanham de perto as eleições, principalmente por causa das negociações entre europeus e o Mercosul que serão retomadas no início do novembro. O encontro ocorre na primeira semana de novembro, poucos dias após o segundo turno das eleições. "A reunião pode ser importante para definir que cronograma de negociações poderemos ter", afirmou um negociador europeu. Na Organização Mundial do Comércio (OMC), o diretor da entidade, o socialista francês Pascal Lamy, também tem acompanhado diariamente os resultados das pesquisas e da eleição. Lamy, porém, confessou às pessoas que trabalham com ele que não acredita que a posição do Brasil mude significativamente com um eventual novo governo. A questão, portanto, será a de saber de que forma o País será representado nas reuniões caso haja uma mudança de governo. Para diplomatas americanos e europeus, se até março não houver uma quebra do impasse nas negociações, o processo poderá ficar paralisado por anos.

Agencia Estado,

02 de outubro de 2006 | 15h38

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