Eleita é convidada pelo presidente da Bulgária a visitar país

Manchete do principal jornal nacional também saúda Dilma, filha de um búlgaro: 'Tomamos o poder no Brasil'

Jamil Chade CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

02 Novembro 2010 | 00h00

"Nacionalizada", Dilma Rousseff se transformou em mais um motivo de uma guerra política na Bulgária, entre o presidente socialista, Georgui Parvanov, e seu arquirrival, Boyko Borisov, primeiro-ministro populista do país. Ambos travam uma batalha política sem tréguas, com acusações mútuas e uma agenda de reformas paralisada.

Dilma, filha de pai búlgaro, ganhou status de superstar na Bulgária e acabou fazendo parte da disputa. Nos sites, pesquisas de opinião até foram lançadas para saber se os búlgaros têm ou não o direito de se orgulhar do "passado búlgaro" da presidente eleita do Brasil. A grande maioria respondeu que sim. O jornal 24 Horas deu o tom da repercussão da vitória de Dilma. "Tomamos o poder no Brasil", é a manchete da edição desta terça-feira do principal jornal do país.

Problemas. A Bulgária vive uma situação crítica. Politicamente, presidente e primeiro-ministro não se entendem. Economicamente, a crise é profunda. A moral da população também está em baixa. São vistos como o país problema da Europa e ignorados pelos centros de poder do continente.

Não por acaso, a eleição de Dilma convinha a muitos. Ontem, Parvanov foi rápido em sair à imprensa para mostrar à população que uma "búlgara" havia obtido sucesso no exterior e que nem todos os imigrantes eram sinônimo de problemas. Em uma carta à presidente eleita, ele convidou Dilma para que visite o país. "Seguimos a campanha com enorme interesse na Bulgária e sua eleição no deu muito orgulho", disse.

Algumas horas mais tarde e para a surpresa da diplomacia búlgara, outro convite. Desta vez era o primeiro-ministro Borisov que a felicitava, chamava a imprensa para uma declaração e também cobrou uma visita da brasileira ao país de origem de seu pai. "Espero que suas responsabilidades não obstrua sua visita já adiada em várias ocasiões à Bulgária", disse.

Tradicionalmente, não cabe ao primeiro-ministro fazer tais declarações. Mas, no caso de Dilma, ninguém queria perder a oportunidade de aparecer.

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