Eleitor catarinense une PT ao DEM

Bornhausen previu fim da 'raça' petista por 30 anos e Lula quer 'extirpar' partido do ex-senador, mas Estado monta chapa com Dilma e Colombo

Anne Warth, O Estado de S.Paulo

26 Setembro 2010 | 00h00

No último dia 13, o presidente Lula fez um dos discursos mais inflamados de toda a campanha eleitoral. Durante comício para 12 mil pessoas em uma praça no centro de Joinville, disse que o DEM era um partido que deveria ser "extirpado" da política brasileira.

Foi um recado claro aos Bornhausen, família das mais influentes na política estadual, e em especial ao ex-senador Jorge Bornhausen. Há cinco anos, no auge da crise do mensalão, Bornhausen previu a derrocada do PT. "Estou é encantado, porque estaremos livres dessa raça pelos próximos 30 anos", disse então, numa referência aos petistas.

Mas os eleitores catarinenses estão mostrando que nem Lula nem Bornhausen estavam certos. Em Santa Catarina, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, ultrapassou José Serra (PSDB) e lidera a pesquisa de intenção de voto divulgada pelo Ibope em 10 de setembro, com 42%, contra 37% do tucano.

Já para o governo do Estado, quem ocupa o primeiro lugar nas sondagens é Raimundo Colombo (DEM), afilhado político dos Bornhausen, que ultrapassou Angela Amin (PP). De acordo com a pesquisa Ibope de 10 de setembro, Colombo tem a preferência de 34% dos eleitores, ante 27% de Angela. Além do Rio Grande do Norte, onde Rosalba Ciarlini (DEM) lidera a pesquisa Ibope divulgada em 11 de setembro, com 50% das intenções de voto, Santa Catarina é o único Estado onde candidatos do DEM têm chances reais de vitória no País.

Prefeito de Lages por três vezes (1989-1992 e 2001-2006), cargo que deixou em 2006, quando venceu as eleições para o Senado, Raimundo Colombo se tornou candidato ao governo catarinense quando ninguém mais acreditava na manutenção da tríplice aliança, como é conhecida a coligação entre PMDB, PSDB e DEM no Estado, formada há quatro anos. Em 1998 e 2002, o DEM, ex-PFL, esteve ao lado de Esperidião Amin (PP), que na época era um dos políticos mais influentes no Estado. Amin venceu as eleições para o governo em 1998 ainda no 1.º turno e saiu na frente em 2002, mas, na disputa do 2.º turno, perdeu para Luiz Henrique da Silveira (PMDB), que teve apoio de Lula e obteve uma vantagem de apenas 20 mil votos.

Pavan. Em 2006, Luiz Henrique foi reeleito governador de Santa Catarina, novamente contra Amin, mas, dessa vez, com o DEM a seu lado e na oposição ao governo Lula. Luiz Henrique renunciou ao cargo de governador em março deste ano para concorrer ao Senado, e o candidato natural à sua sucessão era o vice-governador, Leonel Pavan (PSDB). No fim de 2009, contudo, Pavan perdeu força depois que foi denunciado pelo Ministério Público por supostamente ter recebido R$ 100 mil para reabilitar a inscrição estadual de uma empresa suspensa pela Secretaria Estadual da Fazenda.

A disputa pela indicação para a vaga de governador em 2010 envolveu Pavan (PSDB), Colombo (DEM) e Eduardo Pinho Moreira (PMDB), presidente do Diretório Estadual do partido. Com três nomes fortes, nenhum dos partidos da tríplice aliança admitia recuar e a coligação esteve muito próxima de ruir. Confiando nessa hipótese, Pavan afirmou que desistiria da eleição caso PMDB e DEM se acertassem, algo que parecia remoto àquela altura. No fim de março, contudo, Luiz Henrique entrou em cena. Ele se reuniu com Jorge e Paulo Bornhausen, Colombo e Pinho em Joinville e no dia seguinte anunciou o acordo que lançou Colombo para o governo, Pinho para vice. Pavan ficou sabendo da decisão pela imprensa. Magoado, decidiu não participar da campanha.

É no mesmo lugar da reunião, a casa de Luiz Henrique Silveira, que Colombo e Pinho Moreira comemoram os resultados das últimas pesquisas. Tranquilos e satisfeitos ao fim de um dia de campanha por Joinville e arredores, os três fazem campanha juntos. "Há uma harmonia muito grande entre nós, algo que dá leveza à campanha. Não há disputa de personalidade nem conflitos", diz Colombo. "Foi difícil, mas o nosso "casamento" deu certo", conta Pinho. "Não foi uma obra individual, foi uma construção coletiva", diz Luiz Henrique.

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