Eleitor forma chapa que quiser, diz Dilma

Após defender comitê 'Anastadilma' ou 'Dilmasia', em parceria com tucano Anastasia, petista tenta apagar incêndio político entre aliados

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2010 | 00h00

/ BRASÍLIA

Depois de causar desconforto entre aliados ao defender uma parceria com o governador de Minas, Antonio Anastasia (PSDB), a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, tentou apagar o incêndio político e disse ontem que o eleitor tem o direito de formar a chapa que bem entender.

"Ninguém pode ser autoritário com o eleitor", disse Dilma. "Respeito o que o eleitor quer fazer e, sendo assim, você não pode dizer como ele deve votar." A polêmica sobre a dobradinha entre o PT e o PSDB em Minas ocorreu depois que Dilma elogiou o ex-governador tucano Aécio Neves, depositou flores no túmulo de Tancredo Neves e mostrou ser simpática a um comitê "Dilmasia" ou "Anastadilma".

Com a reação do PMDB, porém, a petista procurou afagar o aliado, que briga com o PT para emplacar o ex-ministro das Comunicações, Hélio Costa, na disputa ao governo de Minas. O PT tem dois pré-candidatos ao cargo: o ex-prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, e o ex-ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias.

"Em Minas, eu não só espero como desejo e até apelo para o entendimento", insistiu Dilma. Na tentativa de acertar o palanque em Minas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia que o PT deve ceder a cabeça da chapa para Hélio Costa.

Pela boca. Dilma telefonou para Costa, na quarta-feira, e disse ter sido mal interpretada nas declarações. "O Hélio entendeu e até brincou, dizendo que iriam perguntar para ele sobre o Serrélio", contou, numa referência à união com José Serra, pré-candidato do PSDB ao Planalto. Naquele dia, no entanto, Costa afirmou que a candidatura de Dilma poderá "morrer pela boca".

Dilma disse que o encontro do qual participará hoje, ao lado de Lula, com seis centrais sindicais ? em São Bernardo do Campo ? não foi programado para criar fato político no dia do lançamento da candidatura de Serra. "Fazer contraponto a Serra? Não, nem tenho essa pretensão", desconversou. Depois, caprichou no sotaque mineiro: "Uai, gente, é absolutamente legítimo que a base do PSDB lance um candidato."

Na prática, porém, a reunião de São Bernardo ? berço do PT ? foi planejada sob medida para fazer um "contraponto social" à convenção tucana. Não sem motivo terá como mote o emprego e a qualificação profissional.

Convocadas na última hora, as centrais sindicais empenhavam-se ontem em dar roupagem de reivindicação ao encontro que terão hoje com Lula e Dilma. Antes de escolher como cenário o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o núcleo da campanha de Dilma estudava possibilidade de levar Dilma a uma festa no Rio. O plano caiu por terra após as fortes chuvas que atingiram o Estado.

Ciro. Antes de cancelar a visita que faria, na próxima semana, a Juazeiro do Norte e Fortaleza (CE), Dilma fez elogios ao deputado Ciro Gomes (PSB), que quer concorrer à Presidência, mas aguarda conversa com Lula. O presidente avalia que a eleição deve ser plebiscitária, entre Dilma e Serra, e gostaria que Ciro desistisse. "Ciro é pessoa solidária, firme, generosa", descreveu a petista, ao garantir que tem relação "profundamente afetiva" com o ex-ministro. Diplomática, Dilma afirmou que não pedirá a Ciro para apoiá-la. "Com Ciro eu não preciso fazer apelo", insistiu. "Ele é muito inteligente, dá o melhor de si, tem suas convicções e eu as respeito." / COLABOROU C.O.

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