Eleitor gaúcho nunca apoia o continuísmo

Com um eleitorado altamente politizado, o Rio Grande do Sul tem rejeitado o continuísmo político nas últimas eleições para o governo há praticamente três décadas. Na prática, é a contramão do que ocorre na maioria dos Estados, onde os governadores, ao se elegerem pela primeira vez, praticamente asseguram a reeleição ou a vitória de seus candidatos, tamanha a força política das máquinas administrativas.

Análise: Marcelo de Moraes, O Estado de S.Paulo

03 Outubro 2010 | 00h00

É assim desde 1987, quando o peemedebista Pedro Simon chegou ao governo sucedendo a Jair Soares, do PDS. O PMDB perdeu para Alceu Collares, do PDT, em 1990. O PMDB voltou a vencer em 1994, com Antônio Britto, mas foi o PT, com Olívio Dutra, que o sucedeu em 1998. O petista Tarso Genro foi batido por Germano Rigotto, do PMDB, em 2002. Este, por sua vez, sequer chegou ao segundo turno, em 2006: Yeda Crusius e os tucanos chegarem ao poder pela primeira vez.

Agora, a história se repete. Yeda aparece apenas em terceiro lugar, desgastada por escândalos políticos. Se as pesquisas se confirmarem, os gaúchos vão trocar novamente de grupo político, decidindo entre o favorito Tarso Genro ou José Fogaça, do PMDB.

O eleitorado gaúcho tem uma divisão clara. O PT conseguiu se fortalecer muito entre o eleitorado de Porto Alegre e em outras cidades próximas, como Canoas. Mas o influente e poderoso interior do Estado tem preferência por candidatos de partidos com perfil mais conservador e ligados à produção rural.

Fortalecido pelo apoio do presidente Lula, Tarso desponta como favorito e pode ganhar. Mas já sabe que difícil mesmo será conseguir a reeleição em 2014.

É JORNALISTA DE "O ESTADO DE S. PAULO"

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