Eleitorado 'fiel' a Lula supera o que declara intenção de voto em Dilma

Pesquisa Datafolha, que mostra a ex-ministra da Casa Civil empatada em 37% com o ex-governador José Serra (PSDB) na corrida presidencial, indica que teto de possível transferência de votos do presidente à sua candidata ainda não foi atingido

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2010 | 00h00

A última pesquisa Datafolha, que mostrou um empate entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), indica que a pré-candidata petista ainda tem potencial para crescer no contingente de eleitores disposto a seguir a indicação de voto dada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Pesquisas. Gráfico mostra a evolução dos candidatos

Dilma tem 37% das intenções de voto, menos do que os 44% de eleitores que dizem que votarão no candidato de Lula "com certeza". Nesses 44% há hoje uma maioria "dilmista", mas também uma parcela de desinformados, que ignora a opção do presidente ou até pensa que ele apoia Serra ou Marina Silva (PV). Um décimo do eleitorado não sabe que a ex-ministra da Casa Civil é a candidata de Lula e, em tese, gostaria de votar nela.

Alem dos 44% de "lulistas convictos", há mais 22% de entrevistados que respondem "talvez" aos ser questionados se votariam em um candidato apoiado por Lula. Ou seja, no total, dois terços dos eleitores admitem estar sob a possível influência do presidente na corrida eleitoral.

Já foi maior a diferença entre o eleitorado fiel a Lula e o de Dilma. No Datafolha de dezembro, a petista tinha 26% das intenções de voto, e eram 38% os eleitores dispostos a votar no candidato de Lula "com certeza".

Visibilidade. A desinformação a respeito das ligações entre Lula e Dilma caiu na mesma medida em que aumentou a visibilidade da pré-candidata, exibida pelo presidente em praticamente todas as inaugurações e cerimônias oficiais enquanto era ministra da Casa Civil.

Na semana passada, em seus dez minutos de propaganda partidária em rede nacional de rádio e televisão, o PT mostrou o quanto aposta na transferência da popularidade de Lula para Dilma. O programa não destacou apenas que ela é a preferida pelo presidente para lhe suceder, mas relacionou-a a programas sociais como o Luz Para Todos e o Bolsa-Família. A ideia é difundir a versão de que Dilma merece crédito pelas realizações da gestão.

Lula vem fortalecendo sua posição como cabo eleitoral. A avaliação positiva de seu governo, segundo o Datafolha, voltou ao nível recorde de 76%, depois de um breve recuo para 73% em abril. E o eleitorado que se declara disposto a seguir a orientação do presidente ao votar subiu seis pontos porcentuais em um mês.

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