Eles brigam pelo direito de ver os filhos

Sem autorização para conviver com as crianças, integrantes do Movimento dos Pais por Justiça protestam no Rio

Marcia Vieira e Camila Haddad, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2013 | 00h00

O Dia dos Pais serviu para que um grupo de cariocas protestassem ontem na Praia de Copacabana, na zona sul do Rio. O Movimento dos Pais por Justiça colocou na areia 280 bonecos, com os olhos e bocas vendados, e distribuiu folhetos para as centenas de pessoas que curtiam o domingo de sol no calçadão da praia."O pai moderno está tentando maior convivência com os filhos, mas muitas mães dificultam isso, manipulando as crianças, que se tornam órfãs de pais vivos", explicou Nilson Falcão, designer gráfico e um dos fundadores do movimento.Pai de um menino de 5 anos, Nilson só pode vê-lo em visitas monitoradas, por decisão da Justiça. Há dois meses, reagiu, juntou-se a outros pais em situações semelhantes e partiu para ação. O Movimento dos Pais por Justiça começou na internet e já tem 180 integrantes. A maioria, é claro, é formada por pais separados. "Mas temos também algumas mães que passam pela mesma situação."O movimento defende que em caso de separação a guarda dos filhos seja compartilhada entre pais e mães. "Queremos a convivência compartilhada. Somos impedidos de conviver com nossos filhos por uma série de medidas que as mães assumem." Os bonecos na areia, alegavam os organizadores, representavam a única companhia que esses pais teriam ontem. O próximo passo do Movimento é conseguir uma audiência pública na Comissão de Direito da Assembléia Legislativa do Rio para discutir o assunto, informou.NA MATERNIDADELonge dos protestos de Copacabana, no bairro do Paraíso, na zona sul de São Paulo, o bancário Glauco Ramos de Lima não tinha motivos para queixa. Por volta das 13h10 de ontem, no Hospital e Maternidade Santa Joana, ele acompanhou todo o parto que trouxe ao mundo sua filha Julia, presente especial de Dia dos Pais. Pai pela segunda fez, Lima admitiu que o agendamento da cesária foi caso pensado para homenageá-lo. "Minha mulher (Edna) estava com essa idéia havia algum tempo. Vimos que ia dar certo porque o bebê já estava bem formado e propomos para a médica", conta. Ainda de olhos fechados e usando um gorrinho cedido pelo hospital, a criança foi para os braços do pai duas horas e meia depois de nascer, com pouco mais de 3 quilos. "Fiquei muito emocionado ao vê-la. E nascer nessa data foi muito importante para mim."Lima já tem com a mulher o pequeno William, de 5 anos. "Meu filho está super empolgado e passou a manhã me ligando no hospital para saber da nova irmã", diz o bancário. William chegou a ajudar nas compras de enfeites e móveis que decoram o quarto de Julia.Satisfeito, o bancário diz que agora é hora de "fechar a lojinha". "Estamos com um casal e já está maravilhoso. Mesmo se tivesse nascido outro menino nós não íamos mais tentar uma menina, não."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.