Eles podem estar envolvidos, diz a mãe da menina

Ana Carolina Cunha de Oliveira: mãe, 2/4

O Estadao de S.Paulo

17 de abril de 2008 | 00h00

A mãe de Isabella de Oliveira Nardoni, a bancária Ana Carolina Cunha de Oliveira, de 24 anos, disse em depoimento à polícia acreditar que o pai e a madrasta da menina "possam estar de alguma forma diretamente envolvidos" no crime. O Estado teve acesso ontem ao depoimento prestado por Ana Oliveira no dia 2 de abril ao 9.º Distrito Policial (Carandiru).Ela conta que se separou de Alexandre por "suspeitas de traição por parte de Alexandre". Haveria ainda brigas constantes entre Alexandre e a mulher, Anna Carolina Trotta Peixoto Jatobá. O motivo era "o ciúmes exacerbado" que a madrasta tinha da mãe de Isabella. Veja os trechos:"Declarou que comparece nesta unidade policial a declarante, informando que conheceu a pessoa de Alexandre Nardoni no mês de dezembro do ano de 1999, com o qual iniciou o relacionamento de namoro (...)Antes do nascimento de Isabella, ficaram separados por dois meses, sendo que o principal motivo foram suspeitas de traições por parte de Alexandre (...) Reataram o namoro e, em julho de 2001, engravidou de Isabella. Durante o período de gestação, estava se relacionando com Alexandre, quando então ele ingressou na Faculdade de Direito, oportunidade em que mencionou que tinha as amigas de faculdade Anna Carolina Jatobá e uma outra (...)Anna passou a ser presença constante na vida de Alexandre. (...) Após o nascimento da filha, continuaram o relacionamento por 11 meses, se separando no início de 2003 (...) Teve a certeza e a convicção de que havia uma traição por parte de Alexandre e o relacionamento foi rompido. (...)Em uma festa ocorrida na casa de seus familiares, por motivos de menos importância, viu Alexandre ficar ofendido (...) Deixou o local e retornou mais tarde, já completamente transtornado, sem camisa, desejando brigar com todos.(...) Alexandre fazia visitas regulares à filha (...). Depois de um ano e alguns meses, a declarante veio a saber por intermédio dos pais de Alexandre que o mesmo já estaria mantendo um relacionamento de namoro sério (...). Quando Isabella tinha um ano e quatro meses, matriculou a mesma na escola. Alexandre não queria que ela fosse à escola e, quando soube,(...) foi até sua casa para discutir com a sua mãe (...) Alexandre estava transtornado, dizendo que ia resolver isso (...), saiu por alguns instantes e retornou, dizendo que estava armado e que iria matar sua genitora. (...) Ela foi procurada por Anna Carolina através do MSN, ou seja, tinha conversas rápidas através do computador. Percebia que Anna Carolina queria aprofundar detalhes de sua relação com Alexandre, mas sempre desconversou. A declarante (...) Nunca houve a falta de pagamento de pensão alimentícia, o que houve foi uma redução do valor da pensão, que foi aceito pela declarante (...). Soube que, no ano de 2005, acerca do nascimento do primeiro filho de Alexandre, e depois de dois anos, já em 2007, soube do nascimento do segundo filho, de nome Kauã. Até este período não se recorda de nenhum entrevero envolvendo a declarante e Alexandre. Entretanto, em uma oportunidade sua filha foi visitar o pai Alexandre, que à época residia no antigo apartamento. Ligou para a casa dele, para conversar com a filha Isabella (...). No decorrer daquela semana, tomou conhecimento por intermédio da mãe de Alexandre, via fone, (...) que Anna Carolina teria se alterado em razão do telefonema dado pela declarante à filha, por motivos de ciúmes. Na ocasião estaria com o filho no colo, e teria jogado este sobre a cama, passando a agredir Alexandre. (...) Quer esclarecer a declarante que os pais de Alexandre não se encontravam presentes (...), mas foram chamados para apartar ou apaziguar os ânimos. (...). Era evidente que todas as brigas de Anna Carolina com Alexandre eram ciúmes exacerbados da declarante. No decorrer dos dias de visitas de Isabella na casa do pai, regularmente, a declarante nunca notou qualquer anormalidade, ou sequer a criança lhe relatou algum fato negativo.Isabella, após chegar das visitas feitas ao pai, por vezes apresentava mordidas, pequenas marcas arroxeadas e a declarante a indagava sobre o que havia ocorrido e ela mencionava que o irmão Pietro lhe mordia e lhe dava beliscões (...) Em uma oportunidade, a mãe de Alexandre comentou com a declarante que o neto havia beliscado Isabella e o pai Alexandre teria ficado irritado com o menino e ergueu o filho a uma certa altura e o soltou no ar, caindo ao chão. (...) Na sexta-feira a filha da declarante não foi para a escola e então Isabella pediu para que a declarante ligasse para Anna Carolina para passar o final de semana com o pai (...). No sábado, ligou no celular de Anna Carolina e não foi atendida (...). Por volta das 23h55, a declarante recebeu uma ligação de Anna Carolina pelo celular, alteradíssima, gritando, que Isabella havia caído. (...) A declarante estava próximo do local e em instantes ali chegou e deparou-se com sua filha estendida ao chão. (...) Alexandre gritava que havia ladrão lá dentro, para que pegassem ele. Anna Carolina gritava descontrolada e proferia palavras de baixo calão uma atrás da outra (...)A declarante alega que não chegou a entrar no apartamento de Alexandre e nunca esteve neste local. Não ficou sabendo dos fatos nem por Alexandre e nem por parente. Vem acompanhando os acontecimentos pela imprensa.No velório ouviu a mãe de Alexandre mencionar que o filho não tinha culpa e teriam que matar o bandido que teria praticado o crime. A declarante gostaria de enfatizar, que durante o velório, em um único contato que teve com Anna Carolina, recebeu dela um abraço inexpressivo, acompanhado da seguinte frase: "você nem ligou para a menina no sábado", percebendo a declarante uma frieza incomum. Alexandre, do momento da chegada no velório até o final do enterro de Isabella, não lhe dirigiu qualquer palavra. Nos últimos momentos ele aparentava estar abalado. Na sua concepção acredita que Alexandre e Anna Carolina possam estar de alguma forma diretamente envolvidos no que aconteceu. (...)"

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