Francisco Sena/Arquivo pessoal
Francisco Sena/Arquivo pessoal

Eletricista que roubou para comer é chamado para teste de emprego

Homem foi detido após furtar carne para dar ao filho; policiais constataram que ele estava há 2 dias sem comer e pagaram a fiança

Marília Assunção, Especial para O Estado

15 Maio 2015 | 18h30

GOIÂNA - O eletricista Mário Ferreira Lima, de 47 anos, - detido depois furtar 2 kg de carne e, em seguida, solto após policiais pagarem a fiança  - foi chamado nesta sexta-feira, 15, para um teste de emprego em Brasília. Lima foi preso na quarta-feira, quando carregava escondida na bolsa uma embalagem com carne, dentro de um supermercado em Santa Maria, no Distrito Federal.

Os policiais que registraram a ocorrência no 20º Distrito Policial do DF, no Gama Oeste, ficaram comovidos ao perceberam a desnutrição do desempregado. O eletricista vive só com um filho de 12 anos, depois que a esposa, doente, teve de morar com outros parentes, deixando os dois na casa do Jardim Ingá, bairro entre Luziânia e Valparaíso de Goiás, municípios goianos do entorno do Distrito Federal. 


Ele alegava que  sobrevivia com R$ 70 do programa Bolsa Família e que estava sem comer havia dois dias, o que foi constatado na delegacia por uma equipe médica. Na quinta-feira, emocionado, contou que roubou a carne após descobrir que o dinheiro do Bolsa Família referente ao mês de maio não tinha sido depositado ainda. O filho também não continha as lágrimas pela situação de penúria e pelo susto que a prisão causou. 

Ao ser solto, o que ocorreu apenas porque os agentes pagaram a fiança de R$ 270 reais, ele acabou ganhando também alimentos que a equipe de policiais comprou após constatarem que Lima falava a verdade. 

Na casa do desempregado, os policiais se surpreenderam com a simplicidade e a geladeira vazia, em contraste com o carinho e os cuidados do eletricista com o filho. Eles compraram carnes, ovos, frutas e material de limpeza. "Foram anjos que apareceram na minha vida", disse Lima, se referindo aos quatro policiais que o ajudaram. 

O caso do trabalhador pode ser interpretado como "furto famélico", gesto praticado para saciar a fome, sem intenção de lucro.  Caberá à Justiça avaliar o caso e liberar o eletricista de responder por roubo comum.

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