Eletrônico domina cena do carnaval de Maresias

Nada de samba, axé, fantasias. As meninas mais arrumadas do litoral norte de São Paulo estão caindo na tecneira. A casa noturna Sirena, em Maresias, São Sebastião, preparou uma programação para as quatro noites de carnaval só com techno. Desfile ali só das beldades muito bem vestidas, mesmo que as roupas tenham pouquíssimo pano. Ontem, considerada a melhor noite pelos "foliões", a casa abriu as portas para o DJ Fatboy Slim, considerado o responsável pela popularização da música eletrônica nos anos 90. Sob o seu comando, 4 mil pessoas dançaram sem parar. O que você daria para estar lá? R$ 200,00, sem consumação, mas o direito de pisar no mesmo chão da danceteria considerada o lugar com "maior concentração de mulheres bonitas por metro quadrado do mundo", segundo o gestor governamental Sandro Torres, de 32 anos. "Eu não vou largar isto aqui nunca mais", dizia ele, que mora em Brasília. Ou pagar R$ 150,00 nas mãos dos cambistas que se aglomeravam a poucos metros da entrada para anunciar a pechincha. "O show do U2 custou R$ 200,00 e os caras só tocaram por duas horas", dizia um deles. "Este aqui é para ver o do Fatboy Slim, que vai tocar até as 6 da manhã." E é assim que os fãs o consideram. Um astro. Quando ele assumiu as picapes, às 2h30, o som dos gritos e aplausos foi mais forte que o das caixas de som. Quem estava nos ambientes ao ar livre da casa correu para a pista, só para tentar ver o DJ. Garotas subiram nos ombros de amigos e namorados para tentar vê-lo mais de perto. Era como um show de rock, mas com música eletrônica. Os fãs estavam ansiosos."Vim só para ver o Fatboy", disse o engenheiro Fernando Pfeiffer, de 31 anos. "Perdi o show no ano passado e me arrependi. Vale a pena pagar pelo ingresso." Ao lado dele, a namorada, Thais Pepinelli, de 26, disse que o bom do carnaval é curtir a energia. "Senão vira aquele carnaval de churrasco." O Sirena começou a lotar depois da 1 hora, quando acabaram as programações de carnaval de São Sebastião. Mas muita gente nem passou perto delas. "Prefiro fugir do padrão do carnaval", disse a nutricionista Fernanda Kerche, de 22 anos. Moradora em Londrina, ela e um grupo de amigos curtem o feriado em Maresias há 3 anos. "Adoro música techno", disse a amiga dela, a estudante Laila Oliveira, de 22 anos. Do outro lado da casa, que tem três ambientes ao ar livre e um fechado, o ambientalista Ivar Oliveira, de 32 anos, previa o futuro de Maresias. "Essa praia vai ser invadida por brasilienses." Só na pousada em que está hospedado, são 20 pessoas que, como ele, enfrentaram cerca de 1.120 quilômetros entre Brasília e Maresias. "É uma das mais próximas."

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