Elevador Lacerda e Bolsa do Café são tombados pelo Iphan

O Elevador Lacerda, em Salvador, e o edifício da Bolsa Oficial do Café de Santos tiveram suas construções tombadas como patrimônio histórico nacional. A Feira de Caruaru, na cidade pernambucana de mesmo nome, foi registrada como patrimônio cultural imaterial.O reconhecimento nacional foi feito nesta quinta-feira, 7, pelo Conselho Consultivo do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em assembléia realizada em Santos, na Baixada Santista.O presidente do Iphan, Luiz Fernando de Almeida, explicou que o título do órgão traz duas grandes mudanças, uma em relação ao reconhecimento e outra quanto à preservação. "Com certeza o fato de ser um patrimônio nacional é uma atribuição de valor: esses são locais que contam a história do Brasil. A outra mudança é quanto ao caráter de responsabilidade de manutenção. Agora, qualquer reforma precisa da permissão do Iphan." Almeida lembra que a partir desse momento, o recebimento de verbas também é facilitado. "Todo critério de lei de incentivo ou investimento direto prioriza o que é monumento nacional", disse.O diretor de Patrimônio Cultural de Caruaru, Walmiré Dimeron, espera que o reconhecimento nacional ajude a conscientizar os feirantes e visitantes da importância da feira. "Acho que parcerias com o poder público e a iniciativa privada vão ajudar na resolução de problemas de pavimento e na iluminação do local". Dimeron destaca que o registro do Iphan garante à feira o acompanhamento de uma comissão técnica do instituto por dez anos. "E isso não tem preço", completa.Para o Diretor de Desenvolvimento do Museu do Café de Santos, Eduardo Carvalhares Jr., o tombamento é principalmente um reconhecimento do povo brasileiro da importância do edifício para o País. "Agora, a bolsa é um patrimônio de todos nós". Carvalhares ressalta que, ao longo dos anos, a visitação do prédio deve aumentar com a conquista do novo título. "Quando um turista estrangeiro vê que um prédio é patrimônio nacional, olha com outros olhos. Acho que daqui um tempo os brasileiros vão pensar assim também".Além de serem tombadas como patrimônio histórico nacional, o prédio da Bolsa de Café de Santos e o Elevador Lacerda de Salvador foram registrados no Livro de Belas Artes e no Livro Histórico do Iphan, enquanto a feira de Caruaru foi registrada no Livro de Lugares. Agora, a aprovação do Conselho aguarda a homologação do Ministro da Cultura e a publicação no Diário Oficial da União, que deve ocorrer no máximo em 30 dias.Elevador LacerdaInaugurado em 1873, o Elevador Lacerda se tornou um dos principais cartões postais da capital baiana e é reconhecido como patrimônio municipal desde a década de 1950. Começou a ser construído em 1869 para realizar o transporte entre a Cidade Alta e a Cidade Baixa. Inicialmente chamado de Elevador Hidráulico da Conceição, ficou conhecido como Elevador do Parafuso, e em 1896 recebeu o nome atual, em homenagem ao seu idealizador, o comerciante Antonio de Lacerda. Com 72 metros de altura e duas torres, suas quatro cabines transportam 128 pessoas em cada viagem em um tempo máximo de 22 segundos. Mensalmente, 754.534 passageiros passam pelas cabines do Elevador Lacerda, que funcionam 24 horas.Bolsa do CaféO suntuoso edifício da Bolsa Oficial do Café de Santos, no centro histórico de Santos, foi inaugurado em 1922 pelo Congresso do Estado. No salão de pregão, três obras do pintor Benedito Calixto retratam Santos nos anos de 1545, 1822 e 1922. Os tempos áureos da Bolsa de Café foram entre 1917 e 1929, quando a bolsa de Nova York quebrou provocando a famosa crise mundial e a decadência da economia cafeeira. O prédio foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico de São Paulo (Condephaat) em 1981 e a bolsa foi oficialmente extinta em 1986. Em 1996, o Governo de São Paulo iniciou as obras de restauração do edifício e o Museu dos Cafés foi inaugurado em 1998.Feira de CaruaruA mais famosa atração da cidade de Caruaru, em Pernambuco, é a sua feira. Realizada durante toda a semana, a Feira de Caruaru funciona em uma área de 218 mil metros quadrados no Parque 18 de Maio. Em centenas de barracas coloridas, são vendidas enorme variedade de objetos do artesanato popular, feitos de couro, tecido, palha e cerâmica, além de utensílios para cozinha, móveis, animais, ferragens, miudezas, rádios e artigos eletrônicos importados. Há ainda a feira livre, com frutas, verduras, carnes e ervas medicinais, e um setor chamado troca-troca, onde são trocados objetos como bicicletas, relógios, rádios, roupas, instrumentos musicais. A arte fica por conta de sanfoneiros, violeiros, cantadores e os vendedores de literatura de cordel.

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