Elias Maluco diz que é "vítima de um linchamento"

O traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, principal acusado do assassinato do jornalista Tim Lopes, negou nesta quarta-feira a acusação de fazer parte de uma quadrilha de traficantes de drogas durante interrogatório na 34ª Vara Criminal do Rio. Ele falou por menos de dez minutos e se recusou a prestar mais esclarecimentos, alegando estar sendo "vítima de um linchamento". O deslocamento do criminoso da prisão até o fórum mobilizou 50 policiais militares e um helicóptero.Elias é uma das 21 pessoas arroladas no processo sob a acusação de tráfico de drogas na Favela do Jacarezinho, zona norte do Rio, no qual o cantor Marcelo Pires Vieira, o Belo, também é um dos reús. Segundo o advogado do bandido, Jorge Luiz Pereira de Souza, ele disse à juíza Rute Viana Lins que nada tinha a declarar e ela resolveu suspender o interrogatório. "Ele não é obrigado a produzir provas contra si próprio", afirmou Souza. O traficante também seria ouvido hoje pelo 1º Tribunal do Júri, no sumário de acusação de outro processo, ao qual responde por uma tentativa de homicídio de quatro policiais militares na Favela da Fazendinha, na zona norte, ocorrida em janeiro de 2001. O depoimento foi adiado para o próximo dia 30, por medida de segurança, conforme informou a assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça.Elias deixou o Batalhão de Choque da PM por volta das 11h40, num carro da polícia, escoltado por outros seis veículos. Um helicóptero acompanhou o percurso de cerca de cinco quilômetros até o fórum para evitar tentativas de resgate do preso. A juíza não permitiu que a imprensa tivesse acesso à sala de audiências. Antes das 14 horas, o bandido já estava de volta à sua cela.Motim O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Francisco Braz, disse que o motim de ontem no quartel do Batalhão de Choque ocorreu "porque os presos queriam aparecer na TV". "Essa história de ventilador foi uma justificativa para fazer arruaça e ganhar notoriedade. E isso eles conseguiram. Mas não vão ter ventilador. O calor é igual para todo mundo. Eu também estou com calor", disse.Segundo ele, "agora reina a tranqüilidade dentro do batalhão". O coronel afirmou que até o fim da semana ou início da próxima, os sete presos que estão no BP Choque serão transferidos para o presídio Bangu I. A transferência deverá ocorrer de forma gradativa. "Até lá, eles vão ficar guardadinhos aqui. A tranqüilidade é total. Eles sempre estiveram e sempre estarão seguros aqui."De acordo com Braz, o regime especial para visitação dos presos será mantido - apenas os advogados têm direito a ficar 20 minutos com seus clientes. Pela manhã, os traficantes Marquinho Niterói, Gigante e My Thor retornaram à cela em que estavam até anteontem, quando iniciaram o motim. Carregando colchonetes e pertences pessoais, foram escoltados por policiais armados.O advogado Henrique Machado, que defende o traficante Marco Antônio Peraira Firmino, o My Thor, visitou seu cliente. Machado chegou à unidade da Polícia Militar acompanhado da mulher e da filha do traficante. As duas ficaram do lado de fora, porque a visita de parentes não foi liberada. Médicos entraram nas celas para fazer exame de corpo de delito nos quatro presos que se rebelaram.

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