Elias Maluco estava sendo monitorado há três meses

A prisão do traficante Elias Maluco foi possível graças a um eficiente trabalho de inteligência da Polícia Civil do Rio, que ocupou o Complexo do Alemão e vasculhou centenas de casas, a partir de informações e denúncias anônimas. A operação já estava planejada há um mês e programada para a semana passada, mas a rebelião de Bangu 1 acabou retardando o início.A ação utilizou a elite da força ? delegacias especializadas como as de Repressão a Entorpecentes, Homicídios e Roubos e Furtos ? e abriu mão da participação da Polícia Militar. Cerca de mil homens se revezaram 24 horas no cerco, que começou na última terça-feira.A equipe da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) vinha monitorando o criminoso nos últimos três meses, por meio de grampo telefônico autorizado pela Justiça, e sabia que o criminoso continuava em sua área de influência, o Complexo do Alemão. ?Ele ficou lá 99% do tempo, só saiu rapidamente duas vezes no período ? uma para ir a Vigário Geral, e outra para o centro da cidade. Acompanhávamos seus movimentos rastreando seu telefone celular?, disse coordenador das delegacias especializadas do Rio, Fernando Moraes.DespitandoDe acordo com o chefe de Polícia Civil, Zaqueu Teixeira, a alta concentração populacional nos morros dificultou a localização de modo mais preciso. Ao telefone, o criminoso falava apenas com mulheres, sobre assuntos pessoais, e nunca tratava da localização. Imaginando-se vigiado, segundo Moraes, tentava despistar a polícia dizendo que estava viajando.Quando falava com os aliados, usava um aparelho de rádio Nextel, empresa que alega não ter condições técnicas de permitir a escuta, apesar de determinação judicial. Esse fato está irritando a polícia, que prometeu recorrer à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) para pedir uma providência ao governo federal. A Nextel divulgou nota em que afirma cumprir integralmente as determinações da Justiça e que apóia as autoridades e investigações policiais.Com a prisão de Elias Maluco, a quadrilha dele está completamente desarticulada. Antes, os principais integrantes já haviam sido presos ou mortos, em combate com a polícia.O traficante do Terceiro Comando Paulo César Silva dos Santos, o Linho, passa a ser o próximo alvo, de acordo com Teixeira. Ele não soube dizer se haverá uma operação do mesmo porte para deter o principal chefe do crime organizado ainda solto. ?Foi um sobre-esforço de nossas equipes, que fizeram um trabalho perfeito?, elogiou o chefe da polícia.O presidente Fernando Henrique Cardoso cumprimentou, por intermédio do porta-voz, a governadora do Rio de Janeiro, Benedita da Silva, pela captura do traficante. ?O presidente gostaria de cumprimentar a governadora do Rio pela sua atuação, com firmeza, na repressão ao crime organizado, dando ao Rio de Janeiro a perspectiva de uma melhor segurança?, disse o porta-voz.

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