Elias Maluco ficou escondido em SP com proteção do PCC

Enquanto a polícia carioca vasculhava as favelas do Rio de Janeiro à procura do traficante Elias Pereira da Silva, o Elias Maluco, acusado de ter torturado e assassinado o jornalista carioca Tim Lopes, no ano passado, ele estava escondido na casa de um parente em Porto Feliz, na região de Sorocaba, interior de São Paulo. A revelação, feita hoje pela juíza Daniela Bortoliero Ventrice, da 1ª Vara do Fórum local, é mais uma evidência da ligação entre a facção criminosa Comando Vermelho (CV), que domina os presídios do Rio, e o Primeiro Comando da Capital (PCC), que tem hegemonia no sistema carcerário de São Paulo. A Polícia Federal interceptou, com autorização da juíza, conversas telefônicas do traficante com líderes do PCC. O bandido, que ficou mais de um mês na cidade, conseguiu fugir antes do cerco policial e acabou sendo preso no Rio. A juíza citou o caso de Elias Maluco, tratado em sigilo pela justiça e pela PF, como exemplo da infiltração do crime organizado no interior do Estado. Desde terça-feira, ela está sob proteção permanente de uma escolta designada pelo Tribunal de Justiça (TJ). A segurança pessoal da juíza foi reforçada depois de ter sido distribuído à vara um pedido de reintegração de posse contra militantes do Movimento dos Sem-Terra que invadiram uma área no município. Daniela Ventrice já havia sido ameaçada anteriormente por ter mandado prender um grupo de sem-terra que saqueou caminhões na Rodovia Castelo Branco. Outras ameaças atribuídas a traficantes obrigaram-na a ficar sob escolta durante mais de um ano. O assassinato do juiz corregedor de Presidente Prudente, Antonio José Machado Dias, chamou a atenção para a falta de segurança do judiciário, segundo ela. "O crime organizado está em toda parte." Um dos processos em que atuou envolve o traficante Wanderson de Paula Lima, o Andinho, que a exemplo do bandido carioca Fernandinho Beira Mar, está na penitenciária de Presidente Bernardes, considerada de segurança máxima. A juíza disse que a situação de insegurança não se restringe às cidades que têm presídios. "Hoje não existe no Estado algum local que se possa dizer que seja tranquilo." Segundo ela, a sociedade está chegando ao ponto de viver escondida por causa do crime organizado. O juiz da 2ª Vara de Porto Feliz, Nelson Augusto Bernardes de Souza, também trabalha sob escolta.

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