Elite da Polícia Civil é acusada de servir ao PCC

Dois investigadores do principal departamento de elite da Polícia Civil que combate o crime organizado são acusados de repassar informações de investigações sigilosas para representantes de uma organização não-governamental ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Documento enviado à Justiça e ao Ministério Público, no dia 17 de janeiro, diz que o caso foi encaminhado à Corregedoria da Polícia Civil, mas a Secretaria da Segurança Pública informou que o órgão, responsável por investigar e punir os policiais, desconhece a denúncia. Identificados apenas como Armando e Camilo, os policiais trabalhavam na Divisão de Investigações Gerais (DIG), até o início de 2007. A reportagem do Estado apurou que eles foram transferidos para o Decap, pelo atual diretor Youssef Abou Chahin, por recomendação do delegado Godofredo Bittencourt, diretor anterior, informado da má conduta dos policiais. Segundo o documento, as investigações feitas pela Delegacia de Roubo a Bancos do Deic contra a Associação dos Familiares dos Reeducandos Nova Ordem, iniciadas em julho passado, só "não avançaram mais" porque os policiais revelaram para Simone Barbaresco, mulher de um dos líderes do PCC, que ela era investigada. A gravações autorizadas pela Justiça captaram uma conversa de Simone em que ela trata um dos acusados como "padrinho". Simone é mulher do preso Cláudio Rolim de Carvalho, o Polaco. Foi ele quem recebeu, por meio da advogada Libânia Fernandes Costa, e repassou a ordem para deflagrar rebeliões no interior. Os presos destruíram as penitenciárias de Araraquara, Mirandópolis 1 e Itirapina 2 em motins ocorridos a partir de maio de 2006. "O mais grave desse vazamento é que coloca em risco a vida dos colegas envolvidos na operação", disse o promotor criminal Márcio Sérgio Christino. Ataques de 2006 Nove meses depois da primeira onda de ataques do PCC, dos 493 assassinatos em São Paulo por disparos de arma de fogo ocorridos no auge da onda de violência, entre 12 e 19 de maio, só os autores dos 47 homicídios de agentes do Estado, praticados pelo PCC, foram plenamente identificados. Na semana passada, a Ouvidoria da Polícia recebeu a informação de esclarecimento de um entre 87 casos suspeitos de extermínio. O Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa diz ter descoberto como morreu Alex Secco, de 27 anos. Em 18 de maio, ele conversava com um amigo perto de casa, na Vila Penteado, zona norte de SP, quando um desconhecido disparou cinco tiros. O PM Ronivaldo dos Santos Ribeiro, vizinho de Alex, confessou o crime. Ao contrário do que se suspeitava, Ronivaldo não fazia parte de um grupo de extermínio. O PM alega que ele e o filho foram ameaçados pela vítima. Como não foi preso em flagrante, mesmo depois de ter confessado, Ribeiro permanece trabalhando. Foi afastado do serviço externo e passou a fazer expediente administrativo. Nas demais mortes com suspeita de execução, houve poucos avanços.

Agencia Estado,

02 Fevereiro 2007 | 13h43

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