Eloá pediu para Nayara voltar, diz seqüestrador

Em imagens divulgadas pela TV, Alves afirma que arma usada no crime era emprestada; detento sai hoje da área de isolamento em Tremembé

Josmar Jozino, O Estadao de S.Paulo

22 Outubro 2008 | 00h00

Lindemberg Alves, de 22 anos, disse a policiais, após a prisão, que Nayara voltou ao cativeiro a pedido de Eloá. "Foi a Eloá (quem pediu para a Nayara voltar). Ela falou, assim, que a amizade delas era grande", afirmou o detento, em novas imagens divulgadas ontem pelo Jornal da Record. Questionado sobre a origem da arma, Alves disse que "era emprestada". Ele afirmou não sentir ciúmes dos reféns Victor e Iago. "Um eu conhecia e o outro eu tinha certeza de que tinha namorada." Hoje Alves sai do isolamento e passa ao convívio com os demais detentos da Penitenciária 2 de Tremembé, no Vale do Paraíba. Segundo funcionários da unidade, o rapaz chegou deprimido e sem ferimentos ao presídio, na noite de anteontem. Advogada de defesa, Ana Lúcia Assad, disse, no entanto, que ele apanhou no momento da prisão e depois. "As câmeras de TV mostraram ele apanhando. Também apanhou atrás das câmeras", disse. Nas imagens da Rede Record, Alves aparece com o rosto inchado e pequeno corte na boca. O presídio em que está tem dois pavilhões. No 1, ficam os presos sem curso superior completo. O outro é reservado aos detentos com diploma universitário. Alves vai ficar na ala dos irmãos Daniel e Christian Cravinhos, condenados, respectivamente, a 39 e 38 anos pela morte dos pais de Suzane von Richthofen, em 2002. No pavilhão, também está Mateus da Costa Meira, condenado a 120 anos. Meira era estudante de Medicina, mas não concluiu o curso. Em 3 de novembro de 1999, ele invadiu um cinema, matou três pessoas e feriu quatro com tiros de metralhadora. No pavilhão 2, estão delegados das Polícias Civil e Federal, juízes e advogados acusados de envolvimento com organizações criminosas. Lá está confinado Alexandre Nardoni, acusado de matar a filha Isabella, de 5 anos, em 29 de março. Funcionários disseram ao Estado que o presídio é uma espécie de "seguro", destinado a presos que têm curso superior e ou aos que têm problemas em outras carceragens. "Por isso, os recém-chegados não precisam ficar dez dias em regime de observação", explicou um agente. "Aqui não entra ninguém do PCC", disse um funcionário. O presídio abriga dois detentos por cela. Os presos têm acesso a rádio, TV, jornal e revistas. No convívio com os demais companheiros, Alves já poderá assistir aos telejornais. Em Tremembé, a presença do jovem gerou comentários na cidade, que tem cerca de 30 mil habitantes, mas não chegou a incomodar. "Aqui a gente já está acostumada. Eles vêm e vão e não muda nada a rotina do município, a não ser o que se fala na imprensa", comentou a comerciante Fátima de Souza Araújo. IMAGENS A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) ouviu ontem Alves, em Tremembé, sobre as imagens exibidas pelo Jornal da Record. O rapaz disse que, "pelo que se lembra", a gravação foi feita no 6º Distrito Policial de Santo André. Segundo a SAP, assim que entrou no CDP de Pinheiros, ele teve a cabeça raspada e vestiu uniforme de presidiário. O 6º DP vai pedir cópias da gravação e enviá-las à Corregedoria da Polícia Civil. Agentes da Pastoral Carcerária vão tentar visitá-lo para saber se ele apanhou mesmo de policiais militares do Gate. COLABORARAM LUÍSA ALCALDE e SIMONE MENOCCHI

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