Em 1º dia de greve, 83 ônibus são depredados em Recife

População da região metropolitana da capital ficou transtornada com as dificuldades de locomoção

Angela Lacerda, O Estado de S.Paulo

26 de junho de 2008 | 18h20

Transtornos, dificuldades de locomoção e 83 ônibus depredados. Este foi o saldo do primeiro dia da greve, por tempo indeterminado, iniciada nesta quinta-feira, 26, pelos motoristas, cobradores e fiscais de ônibus urbanos na região metropolitana do Recife. Os grevistas querem 12% de reajuste salarial, enquanto a classe patronal oferece 4,35%. De acordo com a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU), no final do dia 60% da frota já circulava pelas ruas. Pela manhã era 30%. O presidente da EMTU, Dílson Peixoto, também prometeu cobrar judicialmente, do Sindicato dos Motoristas Rodoviários do Estado, cada centavo do prejuízo provocado pela depredação dos ônibus - em sua maioria pneus esvaziados e janelas laterais quebradas com pedradas. O presidente do sindicato, Patrício Magalhães, negou a autoria das depredações. "Os grevistas não são vândalos", retrucou, ao considerar "ridículo" o reajuste proposto pelos patrões. Os motoristas têm salário de R$ 1.064,00, enquanto os cobradores ganham R$ 490,00 e os fiscais R$ 689,00. O Sindicato das Empresas de Transportes (Setrans) pediu a instauração de dissídio coletivo, na Justiça do Trabalho, mas como o dissídio só pode ocorrer se as duas partes assim o quiserem, a vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho, Maria Helena Pinho, deu 48 horas para o Setrans apresentar documento com a anuência do Sindicato dos Motoristas. A fim de ganhar tempo e garantir o retorno da normalidade o mais rápido possível, Dílson Peixoto pediu a intermediação do Ministério Público do Trabalho. O procurador chefe, Aloísio Aldo da Silva Júnior, convocou uma reunião com representantes dos dois sindicatos na tarde de ontem. Até o início da noite, não havia nenhum consenso. A Polícia Militar montou policiamento para acompanhar o movimento e linhas foram remanejadas para atender os locais onde a greve se mostrou mais forte. Anunciada com antecedência, muita gente não saiu de casa, enquanto outros usuários organizaram esquema de dividirem táxi ou usarem transportes alternativos - que aproveitaram a situação para cobrar entre R$ 3,00 e R$ 5,00 para se locomover. A passagem mais barata custa R$ 1,75. A EMTU assegurou que qualquer que venha a ser o reajuste salarial, a passagem não será reajustada. A região metropolitana tem 2,7 milhões de usuários, servidos por 2,7 mil ônibus de 17 empresas, distribuídos em 354 linhas.

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