Em 1 mês, 11 PMs de folga são mortos em São Paulo

Março tem recorde de casos e deputado fala em ação do crime organizado; em abril, soldado que fazia escolta de presos morreu em emboscada

Josmar Jozino, O Estadao de S.Paulo

28 de abril de 2009 | 00h00

O tenente Sílvio França da Silva, de 43 anos, do 39º Batalhão do Interior (Santos), estava em férias quando foi executado por dois homens em São Vicente, na frente da mulher e dos filhos. Ele é um dos 11 policiais militares assassinados fora de serviço, no Estado de São Paulo, em março. No mês passado, o número de PMs mortos em folga disparou, o que preocupa a cúpula da corporação. O Comando não quis divulgar os números, alegando que não tinha "interesse" nesse tipo de reportagem. Os dados foram obtidos com outra fonte, ligada à Secretaria da Segurança Pública.Em abril, a reportagem apurou pelo menos outros quatro casos. Um dos mais graves é o do soldado Edmundo Andréa Júnior, de 32 anos, que trabalhava na escolta de presos. O PM estava de folga e em casa quando recebeu um telefonema. Marcou um encontro com alguém e foi ao local indicado. Morreu numa emboscada. No primeiro trimestre, 16 PMs foram mortos fora do horário de serviço. De janeiro a março de 2008, a corporação registrou 11 casos do gênero. Dos mortos em 2009, dez eram lotados no Comando de Policiamento da Capital (CPC), um no Comando de Policiamento Metropolitano (CPM), um no Comando de Policiamento do Interior-1 (São José dos Campos), dois no CPI-6 (Santos)e dois em outros batalhões do interior.Para o deputado estadual Conte Lopes (PTB), presidente da Comissão de Segurança Pública, membros do crime organizado promovem atentados. "Os criminosos estão matando os policiais militares no varejo. E ninguém investiga."Além do tenente Silva, o soldado Márcio Luiz Bueno, também do 39º Batalhão, foi executado na Praia Grande, no dia 23 de março. Segundo o major Robson Bianchi, o PM estava de folga e foi vítima de latrocínio (roubo seguido de morte). Bueno fazia serviço particular e transportava malote com dinheiro.Em Diadema, o sargento Agnaldo João Dantas da Gama, de 41 anos, estava de folga e à paisana, na noite de 12 de março, quando entrou numa lanchonete. O PM portava uma pistola 380 mm e foi reconhecido por dois criminosos. Ele foi dominado, desarmado e executado. No dia 9 de março, o soldado Welton Andrade, de 24 anos, do 18º Batalhão, chegava em casa, na Rua Dona Gertrudes Jordão, Jaraguá, zona oeste, por volta de 22 horas, quando foi abordado por dois homens. O policial estava à paisana e ocupava sua moto Honda Titan 150. Os criminosos anunciaram o assalto e exigiram o veículo. Ele foi baleado e morreu no Pronto-Socorro de Pirituba. O caso foi registrado no 33º DP (Pirituba).

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