XANDO PEREIRA/AGÊNCIA ATARDE
XANDO PEREIRA/AGÊNCIA ATARDE

Em 10 anos, País tem quase 1,3 mil mortes em acidentes de embarcações

Dado do Ministério da Saúde vai de 2006 a 2015; Estados do Pará e do Amazonas lideram ranking, enquanto Bahia registrou 37 mortes

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

24 Agosto 2017 | 12h25
Atualizado 24 Agosto 2017 | 22h00

SÃO PAULO - Por semana, 4,5 mil viagens intermunicipais são realizadas no Brasil por meio de embarcações, conforme dados da pesquisa Ligações Rodoviárias e Hidroviárias 2016, divulgada no mês passado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É um número pequeno ante as 1,7 milhão de partidas realizadas por transporte rodoviário no País, mas as viagens de barco respondem por 98% do transporte ocorrido na Região Norte. Segundo o Ministério da Saúde, entre 2006 e 2015, dado mais recente, 1.289 pessoas morreram em acidentes em embarcações. 

Na Bahia, Estado onde aconteceu o naufrágio desta quinta, que deixou 18 mortos, segundo a Marinha, o trecho entre Vera Cruz, na Ilha de Itaparica, e a capital baiana é a ligação marítima mais movimentada. São 539 partidas semanais, quase 80 por dia. Em segundo lugar, está a conexão entre Salvador e Itaparica, na mesma ilha, com 228 partidas. 

O arquiteto naval Carlos Padovezi, do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), afirma que conexões como essa são as que têm a melhor infraestrutura do País. “As embarcações são melhores e há fiscalização”, afirma. “Nesses locais, falando em tese, uma vez que não estou por dentro do caso, é mais comum que um acidente aconteça por um erro, por uma avaliação incorreta sobre as condições do mar, do que por questões relacionadas à infraestrutura.”

Região Norte. É uma situação extremamente diferente da realidade na Região Norte, de acordo com o especialista. “No Norte, especialmente no Amazonas, a situação é crítica. E não há nenhuma melhora desde que acompanho o assunto, há três décadas”, afirma. 

A gravidade é relacionada a uma série de fatores, incluindo o fato de os rios locais serem a única conexão entre uma série de municípios e a grande extensão de área que precisa ser fiscalizada pelas autoridades. “Há ainda a questão da renda. A população não tem recursos para financiar viagens em transportes caros”, afirma ele. 

Para se ter uma ideia, o estudo do IBGE diz que há 426 partidas semanais, feitas por diferentes barcos e empresas, entre as cidades de Belém e Barcarena, ambas no Pará – para comparar, entre São Paulo e Ribeirão Preto há 416 partidas semanais. “Como a população não tem como bancar viagens em embarcações maiores, é comum que os donos das embarcações prefiram ocupá-las com cargas, uma vez que é possível cobrar um pouco mais dos donos. Mas isso deixa a qualidade de transporte ainda mais precária. A população aceita porque não tem outra opção. Ou entra no barco superlotado ou espera dois dias para embarcar no próximo”, diz o arquiteto naval. 

Fiscalização. Para uma embarcação circular, de acordo com as regras brasileiras, a primeira providência é conseguir a liberação da Marinha. Trata-se do braço das Forças Armadas que se responsabiliza por averiguar a segurança das embarcações e determinar, por exemplo, a lotação máxima de cada barco. Depois, para fazer a operação comercial, o dono do veículo precisa credenciar-se nas agências estaduais para fazer viagens no interior de cada Estado ou com a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para os caso de viagens interestaduais. As agências ainda se ocupam de observar a parte documental dos barcos, mas é a Marinha quem fiscaliza as regras de segurança. 

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