Em 10 segundos, efeito pode ser devastador

Tuiiiimm. É uma das sensações da primeira pipada no cachimbo de crack descrita por usuários, uma espécie de orgasmo cerebral. A droga fumada, absorvida pelo pulmão em uma área mais de 200 vezes maior do que a mucosa nasal, permite que a cocaína chegue em grande quantidade ao sistema nervoso central. O pulmão, além disso, é um atalho ainda mais curto do que a corrente sanguínea. Como resultado, enquanto o pó inalado leva de 3 a 5 minutos para fazer efeito, com perdas importantes ao longo do percurso até o sistema nervoso, o crack chega em grande quantidade em 8 a 10 segundos. A depressão e a paranóia, por outro lado, são os efeitos colaterais desse poderoso "barato" para o usuário. A "nóia" apresenta sintomas semelhantes ao da esquizofrenia, resultado da sensibilização dos neurônios, que causa no viciado visões e sensações como as de baratas andando sob a pele, para citar um dos relatos clássicos. Para evitar esses efeitos, a busca por novas doses são incomparáveis à de viciados em outras drogas. Essa obsessão leva os usuários de crack a terem índices de mortalidade superiores a 20% ao longo de 12 anos de uso, como mostram pesquisas, nível mais acentuado que o da leucemia.

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