Em 12 dias, 25 bebês morrem em UTI de hospital público do Pará

Sindicato dos médicos atribui as mortes a infecção hospitalar e pede investigação do MP; Santa Casa diz que média é 'normal'

Carlos Mendes, Especial para o Estado

14 de junho de 2013 | 16h36

BELÉM- O presidente do Sindicato dos Médicos do Pará, João Gouveia, pediu ontem ao Ministério Público Estadual (MPE) e ao Ministério Público Federal (MPF) que investiguem a denúncia de que 25 recém-nascidos morreram nos primeiros 12 dias deste mês na UTI neonatal da Santa Casa de Misericórdia do Pará, em Belém. A média chega a duas mortes por dia.

Segundo Gouveia, a principal causa das mortes seria o alto índice de infecção hospitalar no local que recebe grande demanda de grávidas, a maioria adolescentes, oriundas do interior do Estado. "A situação é muito grave, mas o pior é que já vínhamos alertando a direção da Santa Casa para esse problema, mas até agora nada foi feito", disse o médico.

Ele exibiu ao Estado a ata de uma assembleia geral dos médicos realizada no dia 17 de abril passado, que contou com a presença de pediatras e obstetras do hospital, onde as precárias condições de trabalho da categoria e o risco de morte por infecções foram debatidas. "Aguardamos as providências que não foram tomadas e agora deu nisso", lamentou.

O secretário de Saúde, Hélio Franco, convocou uma entrevista coletiva agora à tarde para esclarecer o caso. Para a direção da Santa Casa, o porcentual de duas mortes por dia estaria dentro da "normalidade", mas a causa não seria a infecção hospitalar, e sim o "baixo peso, a maioria abaixo de 1,2 quilo", dos recém-nascidos. A grande demanda de grávidas seria também um dos motivos da falta de melhor atendimento.

O governador Simão Jatene (PSDB) ainda não se manifestou. Em junho de 2011, seis meses depois de ele assumir o governo, morreram 63 bebês no hospital.

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