Em 15 anos, desperdício pode cair pela metade

Programa prevê ainda troca de ramais e conexões

Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

11 de abril de 2009 | 00h00

O programa de monitoramento e controle de perdas de água chegará aos consumidores neste ano. De acordo com a gerente do Departamento de Engenharia da Sabesp, Gisele Abreu, terá duração de 11 anos, em parceria com a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica). "Estamos adaptando para a nossa realidade o que os japoneses nos ensinam. Completamos três anos de cursos para os funcionários. Também haverá troca de ramais, conexões e redes. As perdas tendem a aumentar quando não se faz nada para reverter o processo."Apesar dos esforços, deve demorar no mínimo 15 anos para se conseguir diminuir pela metade o volume da perda de água produzida. A estimativa é do engenheiro Masahiro Shimomura, representante da Jica, que está no Brasil para treinar funcionários da companhia estadual. "É um trabalho a longo prazo. São necessárias ações para identificar os locais onde há vazamentos, operações corretivas e preventivas. O ideal é fazer as três ao mesmo tempo e manter os investimentos."No Japão, segundo Shimomura, o índice de perdas, um dos melhores do mundo, está em torno de 7%. Para alcançar esse nível de excelência, os japoneses demoraram 50 anos. A verba investida é quase incalculável. "Muito mais que bilhões de dólares." Ele destaca ainda que esse índice pequeno de desperdício vale para os grandes centros, mas que em algumas regiões interioranas do país o volume que se perde é similar ao da Sabesp. "Em Tóquio, o nível é de 3%. A perda é maior onde companhias de abastecimento pequenas operam."NÍVEL ORIENTALA Sabesp produz diariamente em São Paulo 6,9 bilhões de litros de água. Desse total, entre 2 bilhões e 2,7 bilhões de litros por dia são desperdiçados antes de chegar às torneiras dos consumidores, quase 40%. A quantidade é suficiente para abastecer por cinco semanas uma cidade como Diadema, no ABC paulista, com população estimada de 395 mil habitantes. Em 2008, na análise geral, a companhia estadual baixou em dois pontos porcentuais as perdas médias - para 27,8%, ante os 29,8% registrados em 2007. Com isso, houve uma redução de 0,56 m³ de perda na produção de água, volume suficiente para abastecer uma cidade de 190 mil habitantes.Das áreas operadas pela companhia no Estado, a região de Jales, no interior paulista, é considerada a de melhor desempenho no controle de perdas, com índice muito próximo ao dos japoneses: 8%. Nessa cidade e no entorno - 35 municípios -, a empresa de abastecimento faz o monitoramento da rede de forma online, por computadores. "Pela vazão noturna conseguimos perceber que há vazamentos. Então, fazemos a busca nos ramais da rua e consertamos", explica o gerente da Divisão de Jales da Sabesp, Antonio Rodrigues de Grela Filho.No restante das cidades da região, onde o monitoramento não é online, um técnico verifica o nível das represas sempre por volta das 2 horas. "Esse horário é particular de cada cidade. Calcula-se o ponto de menor consumo para que possamos verificar qualquer alteração no sistema", afirma Grela Filho. Além do monitoramento constante, desde 1997 esses municípios passaram por troca de ramais, canos e válvulas de pressão, o que ajuda a conservar o nível da água nos sistemas produtores.

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