Em 2 meses de Lei Seca, governo deixa de gastar R$ 48,4 mi

Entre 20 de junho e 20 de agosto, número de acidentes fatais também caiu 13,6% nas estradas do País

Felipe Recondo, de O Estado de S. Paulo,

20 Agosto 2008 | 15h26

Nos dois primeiros meses da vigência da Lei Seca, o Brasil deixou de gastar R$ 48,4 milhões com a redução dos acidentes fatais nas rodovias federais. O Estado com a maior economia foi São Paulo, com R$ 11,5 milhões de despesas com acidentes a menos, seguido da Bahia, Minas Gerais e Distrito Federal. Dados da Polícia Rodoviária Federal, divulgados nesta quarta-feira, mostram que de 20 de junho, quando a lei passou a vigorar, até 20 de agosto deste ano, o número de acidentes com mortos caiu 13,6% na comparação com o mesmo período de 2007.   Veja também: Lei Seca reduz número de atendimentos feito pelo Samu Íntegra do relatório apresentado pelo Ministério A lei seca, em números  Câmara aprova penas alternativas para crimes no trânsito Os efeitos do álcool e os limites da Lei Seca  Lei Seca tem aprovação de 72% em São Paulo  Entenda os principais pontos da Lei Seca   Todas as notícias sobre a Lei Seca    Nos dois meses após a sanção da lei, o número de acidentes fatais baixou de 998, em 2007, para 862, em 2008. A quantidade de ocorrências com feridos também caiu - de 12.384 feridos em 2007 para 12.174 em 2008. A cada morte evitada no trânsito, o governo economiza R$ 467 mil e cada acidente a menos com feridos gera uma economia de R$ 96 mil, conforme contabilidade do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).   A economia envolve a redução de custos com a remoção das vítimas, atendimento pré-hospitalar, internação e atendimento médico, remoção dos veículos e permanência nos pátios da política, gastos com o deslocamento e treinamento de policiais para lidar com esses acidentes.   Pela nova lei, o motorista flagrado com 2 decigramas de álcool por litro de sangue ou 0,1 miligrama por litro de ar expelido no bafômetro recebe multa de R$ 957,70, perde a habilitação e tem o veículo apreendido. Se o exame mostrar 6 decigramas de álcool por litro de sangue ou 0,3 miligrama por litro de ar, o motorista responde criminalmente e pode ser punido com até 3 anos de prisão.   Os dados da Polícia Rodoviária mostram ainda que, apesar de diminuir o número de veículos fiscalizados, aumentou em 78,5% a quantidade de autuações por embriaguez nas estradas federais - de junho a agosto de 2007, foram 1.030 autuações, contra 1.839 no mesmo período deste ano. Com a nova legislação, foram presos 1.223 motoristas embriagados.   "É uma mudança cultural que estamos enfrentando e os nossos motoristas agora não estão bebendo tanto quanto antes", afirmou o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal, Hélio Cardoso Derenne.   O receio do governo de que os motoristas se recusariam a fazer o teste do bafômetro não se confirmou. Mesmo sob o risco de serem punidos, o percentual de motoristas que se recusaram a soprar o bafômetro mantivesse próximo a 18,4%, percentual próximo aos 18,1% do ano passado. "Mesmo quando não havia punição para quem se recusasse a soprar, já existia a turma do contra", afirmou Derenne.   A lei seca, em números*      2007  2008  Variação Acidentes  20.446  21.327  4,3% Feridos  12.384  12.174  -1,7% Mortos  1.250  1.091  -12,7% Acidente com morto  998  862  -13,6% Acidentes com ferido  7.358  7.303  -0,7% Acidentes sem vítima  12.090  13.162  8,9% Pessoas socorridas  2.680  2.571  -4,1% Crimes de trânsito  1.003  1.893  88,7% Veículos fiscalizados  1.094.048  1.021.671  -6,6%    *Dados divulgados pela Polícia Rodoviária Federal referente às estradas federais   Texto alterado às 19 horas para acréscimo de informações.

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