Em 20 anos, nº de presas aumentou 2.597%

Tráfico de drogas é o crime que mais leva mulheres à prisão no Estado

O Estadao de S.Paulo

05 Outubro 2008 | 00h00

O encarceramento feminino cresceu 2.597% no Estado de São Paulo, de 1988 a 2008, conforme levantamento do repórter Josmar Jozino, a partir de números divulgados pela Secretaria de Administração Penitenciária (SAP). O crime que mais leva as mulheres à cadeia é o tráfico de drogas. No Brasil, atualmente, de acordo com dados do Ministério da Justiça, 7.819 mulheres estão detidas por esse tipo de crime. O crescimento no número de mulheres presas está diretamente ligado à mudança no perfil da família brasileira, segundo a advogada Alessandra Teixeira, coordenadora da Comissão de Prisões do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCrim). "Cerca de 60% das mulheres presas afirmaram, em pesquisa recente, serem chefes de família. Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), também recente, mostrou que esse porcentual, na sociedade, não chega a 30%. Aí entra o tráfico, como um meio de vida rentável, diante de um mercado de trabalho restritivo." A criminalista Sônia Drigo, voluntária da Pastoral Carcerária, concorda. "A criminalidade feminina está crescendo porque ela está se separando do companheirismo. A mulher não mais pratica crimes apenas em nome do amor ao homem, mas também porque está chefiando a família." O comércio de drogas, dizem as especialistas, não é entendido como um crime violento. A função geralmente exercida por elas, de mulas, de fato não envolve agressões físicas, pois implica apenas o transporte e a distribuição da droga. A violência praticada pelos bandidos ocorre por ordem de homens, que ocupam as posições hierárquicas mais elevadas no crime organizado, e é executada também por homens. "O tráfico é uma atividade rentável, que permite a elas ficarem próximas de casa e dos filhos", afirma Sônia. O segundo crime mais praticado por mulheres é roubo, delito que exige agressão física ou uso de arma, menos compatível com as condições físicas e emocionais femininas. "Geralmente, ela participa do roubo porque estava ao lado dele no momento. A maioria não fez sozinha", diz a voluntária da Pastoral. Alessandra destaca, também, que a reincidência muitas vezes se dá em decorrência dos mesmos fatores que provocaram a entrada da mulher no mundo do crime. "Quando ela sai da cadeia, tem muito mais dificuldade de encontrar trabalho." Como as mulheres presas têm pouca escolaridade, estão aptas a exercer tarefas que não exijam muito preparo intelectual. "Então, ela, que acabou de sair da prisão, depende de trabalhos que precisam de um vínculo de confiança, que são os domésticos. Ou seja, se fecha mais uma porta." Um levantamento do Ministério da Justiça, feito em junho, mostra que cerca de 75% das mulheres presas contam com ensino fundamental completo ou formação inferior. Os outros 25% têm do ensino médio em diante.

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