Em 20% da área, obras serão de interesse social

Governo planeja reocupação, unindo moradias populares e novas oportunidades de emprego

DIEGO ZANCHETTA, O Estadao de S.Paulo

04 de abril de 2009 | 00h00

Dos 225 hectares (2,2 milhões de m²) previstos para serem desapropriados na região da Nova Luz, na região central de São Paulo, 20% deles devem ser reservados para obras de interesse social, incluindo a construção de 1 mil moradias populares. A primeira fase do projeto prevê intervenções em apenas 23 quadras, com desapropriações que vão ficar restritas a imóveis irrecuperáveis e a áreas destinadas à instalação de equipamentos públicos. Um dos objetivos do governo é transferir futuramente as sedes da Secretaria Municipal de Serviços e da Prodam para a área.O líder da gestão Gilberto Kassab, José Police Neto (PSDB), destaca que quase um terço do território da Nova Luz é considerado Zona Especial de Interesse Social (Zeis). "Isso garante não só moradias populares, mas a diretriz do nosso parecer aponta para a necessidade do desenvolvimento de moradias destinadas à classe média e à juventude. Temos a perspectiva de ?casar? as residências com a geração de emprego nos futuros empreendimentos que seguirão para a área."As duas quadras já desapropriadas durante o projeto-piloto, em 2005 e 2006, totalizam 15 mil m² nas Ruas Aurora e Vitória. O objetivo é a construção ali de apartamentos populares em conjuntos de no máximo 12 andares. A medida foi confirmada ontem pelo diretor da Empresa Municipal de Urbanização (Emurb), Rubens Chamma.?ELOGIÁVEL?Para o Ministério Público Estadual, manter os moradores da região no centro é uma "iniciativa elogiável". A promotora de Habitação e Urbanismo Cláudia Beré quer saber, porém, quais serão os critérios da Prefeitura para contemplar a população. "Inicialmente me parece uma boa ideia manter o morador em área que já tem infraestrutura, em vez de jogá-lo na periferia e levar a infraestrutura para uma área mais distante, o que custa bem mais caro", comentou a promotora.O vereador de oposição Antonio Donato (PT) também defende a construção de moradias no perímetro da antiga Cracolândia. "Seria uma boa alternativa para o governo agregar o discurso à prática. Até agora os moradores da região não tiveram nenhuma garantia, só se fala em conceder a área para investimentos empresariais."

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