Em 2012, a vez da ''micropolítica''

A tendência é irreversível: cada nicho do eleitorado brasileiro será mapeado e vai virar alvo de diferentes abordagens em campanhas políticas. Não haverá apenas uma estratégia, mas várias. Microtargeting é nome da onda, uma técnica largamente utilizada nos Estados Unidos e que dá os primeiros passos no Brasil após ter sido utilizada na campanha de reeleição de Sérgio Cabral (PMDB) no Rio.

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

26 Abril 2011 | 00h00

Especialista no assunto, o economista brasileiro Maurício Moura, professor na Universidade George Washington, nos Estados Unidos, explica que microtargeting é "fatiar o eleitorado e olhar para as fatias com uma lupa". Cada microssegmento, com suas diferentes aspirações, pode ser alvo de um discurso específico do candidato interessado em seus votos. A mensagem política também pode atingir os grupos de diferentes formas: televisão, mala direta, e-mail e até visitas porta a porta.

A experiência com o microtargeting na campanha de Cabral foi relatada pelo consultor na versão latino-americana da revista Campaings & Elections, e também em uma palestra na Universidade George Washington, em março deste ano.

No Brasil, Moura encontrou um grande obstáculo para "fatiar" o eleitorado em diferentes perfis: a falta de dados públicos e detalhados sobre a população.

"Na Califórnia, é possível dividir a população com base em 725 variáveis. É possível até saber se a pessoa vai de bicicleta ou carro para o trabalho, e quanto gastou no cartão de crédito no ano anterior", afirma ele.

No Rio, tornou-se necessário fazer uma série de pesquisas de opinião para mapear os eleitores de acordo com sua renda, idade, escolaridade e localização geográfica, entre outros itens.

Com os levantamentos, foi possível identificar um nicho de mulheres indecisas, com mais de 50 anos, no interior do Estado. As entrevistas mostraram que elas tinham grande preocupação com a questão do emprego, não para elas, mas para os filhos e netos, que muitas vezes precisavam se mudar para a capital em busca de trabalho.

O passo seguinte foi exibir na propaganda de Cabral na TV o depoimento de um jovem ator que relacionava o candidato peemedebista ao tema da criação de empregos no interior. As sondagens indicaram que a estratégia deu resultado.

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