Em 24h, seis bueiros do Rio explodem; 'Chegamos ao limite', diz Paes

Segundo o MP, Light concordou com termo que prevê multa de R$ 100 mil para cada incidente

Alfredo Junqueira, O Estado de S. Paulo

05 Julho 2011 | 19h15

RIO - Explosões de bueiros voltaram a estremecer Copacabana e o Centro do Rio nesta terça-feira, 5. Ninguém saiu ferido, mas houve pânico nos locais. Em 24 horas, seis tampas da Light, concessionária de energia elétrica que atende a cidade, voaram após explosões. Desde que a empresa foi privatizada, em 1996, foram 44 ocorrências similares. A Light nunca foi obrigada a pagar uma multa por esses casos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

 

A Prefeitura do Rio divulgou, no início da noite, que expediu 13 multas contra a empresa por danos ao patrimônio público, execução de reparo em vias públicas sem licença, causando interrupção das vias e por esgotamento irregular de águas pluviais. Referem-se a casos que ocorreram desde abril. O total cobrado soma R$ 10.282,80.

 

O prefeito Eduardo Paes (PMDB) reclamou que as explosões dos bueiros da empresa estão provocando um clima de pânico na cidade. "Chegamos no limite. Só cabe agora uma ação criminal contra a direção da Light, contra a Light", afirmou Paes. "Eu até desconfio que possa estar havendo sabotagem, mas o fato é que a população do Rio não tem nada a ver com isso. As pessoas não estão conseguindo andar pelas ruas, e está começando a gerar um clima de pânico."

 

A explosão desta terça em Copacabana ocorreu na esquina das ruas Dias da Rocha e Barata Ribeiro - local vizinho a outros casos que levaram transtornos aos moradores nos últimos meses. Técnicos da Light isolaram o local e atribuíram o problema a um defeito num cabo de baixa tensão.

 

No Centro, foram ouvidos três estrondos seguidos por chamas em um bueiro localizado na Rua Sete de Setembro. O ponto é próximo do local onde outras quatro tampas de câmaras subterrâneas da Light voaram após explosões na tarde de segunda-feira. Além dos repetidos casos em Copacabana e no Centro, foram registradas também explosões no Flamengo, Laranjeiras e Botafogo, todos bairros da zona sul da cidade, nas últimas semanas.

 

Nesta terça, o Ministério Público do Estado do Rio anunciou que a Light enfim concordou com Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) proposto pela Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor. O documento, que será assinado, hoje prevê pagamento de multa de R$ 100 mil para cada explosão de bueiro da empresa que resulte em morte, lesão corporal (leve, grave ou gravíssima) e dano ao patrimônio público ou privado. A Light também deverá, em até dois anos, reformar 4 mil câmaras subterrâneas.

 

A direção da empresa foi prestar esclarecimentos à Aneel. A reunião não havia terminado até o fechamento desta edição. O atual presidente da Light, Jerson Kelman, comandou a agência reguladora entre 2005 e 2008.

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