Em 3 segundos, cai prédio da TAM

Às 15h29 de ontem, as sirenes da Defesa Civil de São Paulo tocaram e câmeras fotográficas foram levantadas por centenas de curiosos. Um minuto depois, o prédio da TAM Express, que exibia a pichação "Brazil (sic) é isso", veio abaixo na Avenida Washington Luís.           Veja mais imagens da implosão   A implosão do edifício de quatro andares na frente do Aeroporto de Congonhas, onde ocorreu o acidente com o Airbus da companhia aérea, durou três segundos. Mas a estrutura de uma parede à esquerda do prédio resistiu e teve de ser destruída por uma retroescavadeira. Também o posto de gasolina ao lado do prédio, esvaziado, foi derrubado. O engenheiro responsável pela operação, de uma empresa contratada pela TAM, afirmou que já era previsto que parte da lateral esquerda do prédio poderia resistir à implosão. Segundo ele, foi colocada uma carga de dinamite menor naquele ponto - no total, foram 75 quilos - para evitar uma interdição de mais quarteirões da área, além dos quatro que já tinham sido isolados pela Defesa Civil. "Daria muito mais trabalho. Foi uma opção técnica", afirmou Manoel Jorge Dias, de 52 anos, que trabalhou também nas implosões do Carandiru e do Palace 2. PRAÇAA companhia aérea divulgou nota anteontem reafirmando a doação da área do prédio para a Prefeitura, que promete fazer ali uma praça e um memorial para as vítimas.O governador José Serra (PSDB) e o prefeito Gilberto Kassab (DEM) acompanharam a implosão a uma distância de 150 metros, da alça de acesso à Avenida dos Bandeirantes, via que também foi paralisada por alguns minutos, assim como os dois sentidos da Avenida Washington Luís. Kassab disse que a imagem da implosão era "muito triste" e que preferia não dar declarações. Já Serra afirmou que não era momento de análises. "A implosão encerra uma etapa desse processo doloroso. O que volta é a tristeza daquele dia, daquela noite. Realmente, se o inferno tiver uma imagem, é a que vimos na noite do acidente. O importante é o Brasil trabalhar para evitar a repetição de tragédias como essa", disse, pouco antes de ir embora. Questionado sobre providências do governo estadual frente à União após a tragédia, ele defendeu uma área de escape em Congonhas. "O governo estadual não tem influência direta na política aeroportuária, mas estamos presentes, seja para apontar os problemas, seja para cooperar na solução deles", afirmou. "Uma coisa me parece clara: aqui em Congonhas tem de ser feita uma pista de escape. Independentemente das causas do acidente, a falta de pista de escape precipitou a tragédia."As centenas de curiosos fizeram silêncio após o "boom" da implosão. Terezinha Campofredo, de 65 anos, que mora no bairro, deixou o local chorando. "Não tem nada nosso, né? Mas a gente sente uma tristeza."ORAÇÃOPouco antes da implosão, a família de Arnaldo Batista, uma das vítimas da tragédia da TAM, observava o prédio em ruínas. Mas preferiu deixar o local antes do edifício cair. "Viemos fazer uma oração e depois vamos embora. Não acreditamos que o perdemos. A raiva, o ódio, é com o descaso das autoridades e das empresas", desabafou Paulo Solano Batista, de 40 anos, irmão de Arnaldo, que vive em Salvador .A família veio a São Paulo no fim de semana para o enterro do parente. Ao lado dos familiares, Paulo defendia um boicote de passageiros a Congonhas, enquanto sua mulher, Rosa, de 30 anos, chorava olhando o edifício, postada logo abaixo da cabeceira da pista. "Gente, olha o que aconteceu e todo mundo viajando normalmente. São seres humanos que morreram", dizia. Até ontem, 160 corpos de vítimas haviam sido identificados pelo Instituto Médico-Legal.  

Fabiane Leite, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2006 | 00h00

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