Em 5 anos, 1.150 somem no exterior

Beatriz e Eliana Almeida buscam há 20 anos pelo irmão que morava nos Estados Unidos. Tânia Vicentini foi àquele país atrás da filha que fazia intercâmbio. A ex-miss Brasil Taíza Thomsen avisou a Polícia Federal que estava em Londres e bem, mas a família continua sem saber seu real paradeiro. Miriam Rangui não entende por que o irmão que trabalha no Japão não faz contato. E Rubens Oleinski sentiu um aperto no peito quando achou a mochila do irmão que foi escalar um vulcão na Bolívia. O estado de apreensão dessas famílias é comum a muitas outras que vivem a angústia de ter um parente desaparecido no exterior. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) registrou 1.150 casos nos últimos cinco anos. Mas o próprio órgão reconhece que esse não é o número exato, uma vez que muitos parentes não relatam os sumiços e outros não avisam quando as pessoas são encontradas. Há também pessoas que não estão desaparecidas - simplesmente não querem contato com os familiares.Se procurar um parente desaparecido é difícil, a busca fica ainda mais prejudicada quando se trata de um outro país. Entre os obstáculos enfrentados estão a distância, o alto custo para seguir as investigações de perto, o idioma e a burocracia. "Eu nem consigo visto para ir aos Estados Unidos", diz Beatriz Almeida.Por isso, o MRE recomenda que os desaparecimentos sejam comunicados ao órgão, mesmo sendo um caminho mais burocrático e lento. A partir do registro, os funcionários do corpo diplomático acionam as embaixadas e consulados brasileiros no país onde estava a pessoa. Esses comunicam o sumiço ao Ministério das Relações Exteriores do país, que transfere o caso para o Ministério do Interior - no caso do Brasil, o responsável seria o Ministério da Justiça -, que alerta a polícia local."A gente se sente meio impotente. Eu tenho de ficar esperando a ação de outras pessoas. Para eles, é só mais um caso; mas, para mim, é minha vida", diz Tânia Vicentini, que liga sempre para a Embaixada americana, para a Polícia Federal e para o Consulado brasileiro em Nova York atrás de notícias. Outra forma é anunciar em redes de desaparecidos. Uma delas é o desapareceu.org, onde há fotos e dados de 12 mil pessoas. De acordo com o criador do site, Stylianos Mandis, 800 pessoas foram encontradas. Embora a maioria dos casos seja de sumiços no Brasil, ele lembra de irmãos do Rio que localizaram o pai no Japão, que havia perdido a memória após um terremoto. "Se outras pessoas pelo menos vissem quem são os desaparecidos, teríamos mais finais felizes."

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