CEA
CEA

Ministério diz que 65% da energia no Amapá foi restabelecida; Estado terá racionamento

Governo estadual afirma que fornecimento terá rodízio de turnos de 6 horas; serviço só deve voltar ao normal no fim da próxima semana

Eduardo Rodrigues, João Ker e Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

07 de novembro de 2020 | 10h41
Atualizado 07 de novembro de 2020 | 19h06

fornecimento de energia elétrica começou a ser restabelecido no Amapá neste sábado, 7, com um sistema de rodízio em turnos de seis horas. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, informou que no fim da tarde 65% da carga do Estado havia sido retomada. Segundo ele, o serviço deve voltar ao normal até o fim da próxima semana. Ao menos 13 dos 16 municípios do Estado foram afetados por um apagão, causado por incêndio em uma subestação de energia de Macapá na noite de terça-feira, 3. Amapaenses relataram dificuldade para conseguir água e comida ao longo da semana. 

"Isso é fruto do trabalho coletivo do governo federal com o governo do Amapá e as empresas responsáveis por esse sistema. Conseguimos restaurar boa parte da carga do Estado e esperamos que isso vá se restabelecendo até 100% nos próximos dias", afirmou o ministro, após vistoriar os trabalhos em Macapá em companhia do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP).

De acordo com o governo estadual, um cronograma de racionamento para os próximos dias será divulgado. “Ao longo do dia, a Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA) está testando adequações e ajustes no sistema. O rodízio será em turnos de 6 horas”, anunciou. A restrição de atendimento não vale para serviços essenciais, como os de saúde. 

Inicialmente, a retomada ainda não atende a todas as áreas da capital. O nível de carga do transformador chegou em 100 MW neste sábado, 7. Conforme a CEA, é preciso chegar à 120 MW, além dos 30 MW de carga que estão sendo distribuídos por meio da Usina de Coaracy Nunes para atender, ainda que de forma limitada, as treze cidades sem luz.

Segundo Albuquerque, a pasta iniciou estudos de planejamento energético para que crises energéticas como essa não voltem a acontecer. "Serão apuradas as responsabilidades e um procedimento administrativo foi iniciado ainda na quarta-feira pela manhã, logo após o incidente", afirmou. 

Governo distribui produto para desinfetar água

A historiadora Marcella Viana, de 27 anos, relata que a energia ainda não havia voltado onde mora ao menos até as 14 horas deste sábado. "Está como uma espécie de racionamento, ninguém sabe onde tem e onde não tem. O bairro do Muca, onde moro, não tem energia, nem água ainda, por exemplo, desde o inicio do apagão."

Com a falta do abastecimento de água, ela não conseguiu encontrar galões, garrafões ou gelo. "Só em pequenas garrafas (de 500 ml). O pacote que antes era por volta de R$ 10, tem gente vendendo a R$ 20", comenta. "A preocupação agora é com a comida. Todo mundo com medo de comprar e perder." O Procon disse que realiza inspeções para coibir a venda de produtos por preços abusivos. 

A população local também tem enfrentado escassez de alimentos e combustível. Cerca de 860 mil pessoas vivem no Estado, das quais mais de 85% ficaram sem energia, o que motivou protestos na sexta-feira, 6. Moradores chegaram a recorrer até o Rio Amazonas para conseguir água. 

Por causa do desabastecimento, neste sábado, o governo estadual começou a distribuir 15 mil caixas de hipoclorito de sódio a 2,5% a população dos municípios atingidos, para ser diluído em um litro de água. Segundo a gestão, "o produto tem a finalidade de fazer a desinfecção da água e torná-la boa para consumo, prevenindo enfermidades de veiculação hídrica".

"O objetivo é prevenir doenças oportunistas que podem ser geradas com o consumo de água não própria. Além da distribuição, as equipes da SVS (Superintendência de Vigilância em Saúde) irão atuar na orientação do uso correto do hipoclorito", alegou em comunicado.

Segundo o governo do Amapá, o sistema isolado de água do bairro Cabralzinho foi reativado às 10 horas deste sábado, com a retomada da alimentação elétrica na região e na área Macapaba 2. "No Macapaba 1, um gerador está sendo instalado neste momento e iniciará o fornecimento de água ainda hoje. O sistema do município de Ferreira Gomes também foi restabelecido. No Residencial Jardim Açucena, o sistema de água funciona com 80% da sua capacidade desde sexta", informou.

Na madrugada, a energia foi reconectada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) após a conclusão dos reparos em um dos transformadores da subestação de energia atingida por incêndio há 5 dias, ainda de acordo com o Ministério de Minas e Energia. Na sexta-feira, o governo federal chegou a anunciar que 70% das necessidades energéticas do Estado seriam restabelecidas ainda naquele dia, o que não ocorreu.

O conserto do equipamento foi concluído às 3 horas da manhã. O religamento teria exigido um tempo para aquecimento e monitoramento de características técnicas. Os primeiros consumidores começaram a receber eletricidade às 4h19.

Por meio dos Ministérios da Defesa e de Minas e Energia, foram enviados geradores de emergência e óleo diesel na noite de sexta. “A previsão é de que a situação será plenamente normalizada em aproximadamente 10 dias”, declarou, em nota.

Em Macapá, a Prefeitura manteve a distribuição de água para moradores desabastecidos em ao menos três pontos da cidade para este sábado. O Governo do Amapá também anunciou a locação de caminhões-pipa, geradores e combustível.

Na terça-feira, 3, um incêndio atingiu um dos transformadores da subestação de Macapá, causando a interrupção no fornecimento de energia. As circunstâncias serão apuradas em um inquérito civil aberto pelo Ministério Público Federal (MPF) na quinta-feira, 5. Por causa da situação, Macapá está em estado de calamidade pública desde quinta-feira. Na mesma data, o governo estadual decretou emergência.

 

Após o religamento de parte da carga de eletricidade, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) confirmou que o atendimento aos moradores será feito em forma de “racionamento”, com fornecimento intercalado.  “Aos poucos a energia retorna em alguns locais do Estado, na capital Macapá e em Santana. Estamos a partir de agora em um sistema de racionamento. Alguns bairros vão ter energia fornecida por algumas horas, e haverá um sistema de alternância com outros bairros. É uma situação pelo menor melhor que o caos e o drama que estava anteriormente”, afirmou, em vídeo no Instagram. “Permanece em alguns bairros a falta d’água e a situação ainda é delicada em muitos locais do Estado”, completou.

Moradores protestam por falta de energia e água

Moradores de Macapá realizaram protestos pela cidade ao longo da noite desta sexta-feira, 6, mais dias de três dias depois que um incêndio na subestação Macapá deixou 13 dos 16 municípios do Amapá sem abastecimento de energia elétrica. Em vários pontos da capital, as pessoas foram às ruas para reivindicar energia elétrica e água. 

Em frente ao Residencial São José, no bairro de Buritizal, os moradores atearam fogo em pneus, caixas e ferros por volta das 20 horas, interditando os dois sentidos da rua Claudomiro de Moraes. Cerca de duas horas depois, viaturas da Polícia Civil chegaram ao local e dispersaram a multidão com tiros. 

A situação se repetiu por volta das 23 horas, no bairro vizinho do Muca. Por ali, os manifestantes também entraram em atrito com a polícia em vários pontos das avenidas Saturno e Júpiter, altura do Jardim Marco Zero. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.